Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007
Vadios dum raio...

    

 

      Já não vou para novo, eu sei. Aproximam-se a passos rápidos os 40 que, e embora não me assuste envelhecer, trarão outras dificuldades, algumas das quais já começo a sentir nos ossos, resultados de muitas noites vividas como se fossem a última e de muitos exageros alimentares e outros. No entanto, ainda consigo trabalhar sem parar durante um mês, durante a semana de volta das obras, ao fim de semana de volta das fotografias. E pelo meio ainda arranjo uns tempos livres para matar o desejo de brincar ao puto, o dele e o meu, umas futeboladas, brincar com o disco, carritos, desenhos...

     A verdade é que aquele menino faz-me muita companhia e esta semana vai custar-me muito a passar, lá foi de férias mais a mãe dele uma semana para Trás-os-Montes, para "a casa da terra". Aproveitei bem o Sábado, não tinha trabalho, para ir com ele ver os aerogeradores à Serra da Lousã, vadiar por aquelas estradas de serra, fazer rallie e uma poeirada enorme atrás de nós (tão suja que está a minha menina vadia), um piquenique com frango frito, ice-tea, coca-cola, batatas fritas, pão de água e fruta, tudo rematado com uns mergulhos na praia fluvial de Castanheira de Pêra, aquela que tem uma máquina de fazer ondas e que encanta miúdos e graúdos...

     Foi um excelente dia, passado ainda na companhia de uma amiga, igualmente divorciada, e do filhote dela, o que também me deu perspectivas de comparação de comportamentos (é errado, eu sei), os miúdos são amigos da escolinha e acaba por ser interessante verificar o comportamento de ambos em sociedade. Fico satisfeito de verificar que o meu é género "está tudo bem, está-se bem...", divide, partilha, empresta, raramente faz birras (pelo menos daquelas em que ele acaba a perder e eu lhe afiambro umas lambarices) e, mais importante, come tudo o que ponho no prato...

     O outro menino é, basicamente, um revoltado. O pai foi-se embora, abandonou-o a ele e à mãe e a auto-estima deles foi por água abaixo. Faz birras descomunais, chora, grita, é egoísta, mas no meio daquilo tudo está apenas um coração muito, muito carente de miminho. Eu dou, dou sempre, não custa e conforta-me tanto o coração, raro era o dia na escolinha em que não havia um abraço para ele, raro era o dia em que ele não dizia à mãe que "o pai do Tiago lhe tinha dado um abraço à homem"...

    Falo "de homem para homem" com o meu filho sobre o amiguito dele e sempre lhe digo para o ajudar e para não ligar às birras, para lhe dizer o mesmo que eu lhe digo a ele: "Para que raio estás a fazer birra se daqui a bocado isso passa tudo e só estás a perder tempo?". E ele diz mesmo e passado um pouco já estão aos abraços...

   Nota-se, no entanto, que falta uma voz grossa no comportamento dele porque, já na praia, ele desobedecia à mãe e eu abria-lhe os olhos e só lhe dizia: pst, pá, senta-te ali imediatamente. E caluda, não respondas.". Ele olhava para mim e para a minha cara séria e optava por se sentar e ficar sossegado, embora no fim acabasse por haver sempre a tão desejada autorização para as brincadeiras que os dois estavam a fazer e nas quais acabei por participar...

    Isto tudo, no fundo, para dizer que o meu não é melhor, nem pior que os dos outros, mas noto-lhe um comportamento mais adulto, nomeadamente na sua luta pessoal contra as birras e na expressão "pronto, tá bem", com que acabam as nossas divergências, embora muitas vezes os argumentos dele sejam tão válidos que eu acabo por ceder. Algures acabamos por encontrar um ponto de encontro entre as nossas vontades...

   É por estas coisas, bem como por muitas outras é certo, que eu esta semana vou ter muitas saudades daquele ranhosito que me enche a casa e dá sentido à minha existência. Em todas as coisas da minha vida ele assume a prioridade e nem sequer o ver durante oito longos dias, vai ser difícil... Havemos de compensar durante a segunda quinzena de Agosto, vamos acampar os dois e vai ser, seguramente, espectacular... Ou não fosse a vadiagem uma coisa que a gente gosta tanto, tal como ele já diz: "Mais uma vadiagem...".

   Que assim seja... A gente vê-se por aí...

 

 



vadiado por homem de negro às 10:50
Ligação vadia | Vadia para mim

5 comentários:
De Américo Prata a 29 de Agosto de 2007 às 03:31
curioso termos o mesmo nome«vadio» a mesma paixão xutos e ainda por cima estiveste na minha terra. e o mais curioso é que etou tão longe daí, por um unico significado partilhado pelos dois o meu filhote e a razão de eu etar tão longe e ainda pior sem ele. abraço fica bem
américo Prata

ps adorei ver as fotos as saudades ue eu tenho desses pinheiros


De Anónimo a 10 de Agosto de 2007 às 11:35
Sorte tem a tua amiga e filhote, por terem uns amigos com vós..
Fiquem bem,

São


De Lobaaaaaaaaaaaaaa a 6 de Agosto de 2007 às 22:49
Deixo-te só um beijo, que hoje estive mais para lá que para cá :(.


De Marta a 6 de Agosto de 2007 às 19:33
Embora a presença da mãe seja algo indispensável na vida de uma criança, a figura paternal nem que seja a existência de uma preença masculina restaura o equilibrio emocional. No caso do miúdo, amigo do teu filho, tal não se verifica daí que as diferenças que encontres sejam perfeitamente normais. Quanto a ti pai babado, a semana vai passar num instante e antes que dês or algo,estarás na grande farra com o teu filhote. Desejo-te umas boas férias.
Bjs


De Lisa_ a 6 de Agosto de 2007 às 19:04
Umas excelentes férias e muitas vadiagens nesse acampamento.
Beijos para vocês dois.


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