Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007
Hoje é o primeiro dia...

    

 

     Batia-me descompassadamente o coração quando cruzei a porta de entrada. Sabia ao que ia, esperava apenas que a outra parte não concretizasse as ameaças dos últimos dias e comparecesse disposta a por um ponto final nesta situação. Já lá vão quase dois anos de problemas e aborrecimentos que nunca desejei, nomeadamente junto dos bancos, e para os quais em nada contribuí...

     De facto, ultimamente pareceu-me que ela não estava disposta a dar-me o divórcio, especialmente depois do carro lhe ter avariado em cima do pontão e eu me ter recusado a ajudá-la. Partiu então para a chantagem com o meu filho, se eu era capaz de o deixar ali com o carro avariado, pelo que pus os pés ao caminho e fui buscá-lo para ir jantar comigo e depois levá-lo a casa dela.

     Nessa altura resolveu dizer que não era preciso levar o menino mas eu peguei-lhe ao colo e coloquei-o no meu carro, por entre as lágrimas dele e as tentativas dela de o tirar lá de dentro. Tive de ser agressivo, afastando-a por um braço, enquanto ela tentava usar a GNR para me fazer deixar o puto ficar em cima do pontão. O guarda apenas disse se "este senhor é o pai do menino, para que está a arranjar complicações?". Toma lá...

     Havia necessidade? Eu só ia jantar com ele, enquanto ela resolvia os problemas dela e depois levá-lo-ia a casa dela, tal como fiz. Tive de parar um pouco à frente, sair do carro, abrir a porta e sentar-me a conversar com ele para o acalmar, estava extremamente nervoso (ele e eu), mas lá consegui dar-lhe a volta, o jantar decorreu bem, ossos e batatas fritas, e depois lá o levei a casa da mãe...

     Nitidamente, não estava satisfeita. Desceu da varanda e veio dizer-me que já não assinava o divórcio, que eu era um infeliz, que nunca havia de arranjar ninguém, que ia pagar bem caro ter-lhe tirado o menino, que havia de me tirar tudo o que tenho. Honestamente, apeteceu-me dar-lhe um murro nas trombas, mas cerrei os dentes e os punhos e fiz ouvidos de mercador, pedi um abraço e um beijo ao meu filho e disse-lhe ao ouvido: "não ligues, pá, a mamã está nervosa."...

     Depois desta cena toda, fiquei com algum receio que ela não aparecesse para assinar o divórcio por mútuo consentimento. Confesso que o coração acelerou quando cheguei à Conservatória, mas quando a vi lá descontraí. Ouvimos o que a conservadora nos tinha para dizer, nomeadamente se não queríamos pensar melhor, respondemos que não, eu, que podia ser que um dia acontecesse, ela.

     Pensei cá para mim: "É pois, fodias-te... Já bastou de enxovalhos...". Feita a leitura da acta, com a qual concordámos, fiquei a saber que ainda tenho de esperar até 23 de Agosto para ter uma certidão que diga que estou separado dela e outra, esta de longe a mais importante para mim, que refira que o exercício do poder paternal é partilhado.

     Esta foi a minha maior luta ao longo destes dois anos, o desejo de poder ser pai sem ser apenas em dois fins-de-semana por mês, o desejo de poder criar o meu filho estando sempre lá que ele precisar. De resto já tem sido assim, em todas as doenças que teve ele esteve sempre ao pé de mim, pelo simples facto de que os meus pais sempre ajudam...

     E pronto, sou um homem livre. Embora o pesadelo não termine já, por causa das dividas que ela contraiu, tenho pelo menos uma base para pensar em refazer a minha vida e continuar a nortear-me pela honestidade que sempre me guiou e que me foi ensinada pelos meus pais. E até já festejei, comprei dois pares de sapatilhas (ou ténis, como está na moda dizer) para o meu meninito e um daqueles tambores que os putos levam para os parques de campismo e passam a fresca da noite a tocar, este ano vai ser o meu a esgalhar os ouvidos dos outros...

     Não deixei, no entanto, de passar pelo meu Rio Mondego e verter aquelas que espero que sejam as ultimas lágrimas sobre este assunto. Encerra-se um capítulo da minha vida, há que abrir o livro e começar outro porque hoje é o primeiro dia do resto da minha vida...

     Que assim seja... A gente vê-se por aí...

 

 



vadiado por homem de negro às 12:19
Ligação vadia | Vadia para mim

12 comentários:
De lahanna a 14 de Agosto de 2007 às 00:42
Desculpa invadir assim o teu blog, mas estava a passar e vi o nosso rio Mondego e não consegui deixar de ler o teu post... tenho apenas 24 anos e sou filha de pais separados... até hoje não sei o que o tribunal decidiu acerca do poder paternal, mas julgo que me fez falta passar algum tempo com o meu pai... eu nem dois fins-de-semana passava... via-o em tempos de festa e pouco mais... é por isso que o teu post me deixou muito feliz, ver que sentes necessidade de ver o teu filho bem... espero que a vossa felicidade faça com que ultrapassem tudo o que venha no futuro.

Desculpa, uma vez mais, a invasão e o desabafo...


De LIsa_ a 6 de Agosto de 2007 às 18:58
"O primeiro dia do resto da tua vida"... de agora em diante, é sempre em frente ;) sempre em frente com as habituais bifurcações, as grandes e pequenas decisões mas sempre em frente e sobretudo na companhia do teu verdadeiro bem: o teu pikeno!
Diga-se que cresceu lindamente, está um rapazão :)
Um beijo em vocês dois.
Até um dia,


De Á flor da pele a 4 de Agosto de 2007 às 21:32
Nunca consegui perceber esse tipo de atitudes! Qd me divorciei , os meus filhos não tiveram a "sorte" do teu, pq apesar dos meus esforços, o pai nunca quis saber deles. Quis Deus, que eu lhe desse um padrasto de mt valor, a quem ambos tratam ,respeitam e gostam como pai.
Dou-te os parabéns pelas tuas atitudes, tanto de presença constante para o teu filho, como pelo controle perante, as atitudes mais tresloucadas da tua ex.
Espero, de verdade, que a felicidade seja agora, a unica avenida á tua frente e que nunca te desvies dela.
Fica um beijo


De Marta a 4 de Agosto de 2007 às 15:08
Sinto muito que tenhas tido de passar por uma fase negra. Mas sinto mais pelo teu pequeno, porque tu, sei que tens força e ele, receio mais pelas marcas. Mas sei que tratarás de as suavizar, do tempo que te conheço aqui. Agora é: o pior já passou. Toca a recomeçar. Por mais estranho que pareça, o amor ainda existe. Hás de vê-lo por aí.
Beijos


De Marlene a 4 de Agosto de 2007 às 12:10
Sê forte.Não como as ondas,que destroem, mas sim como as rochas que a tudo resistem, e pensa que no
fim de um túnel escuro, há sempre uma saída cheia de luz. Beijo e vai ser feliz junto de quem mais amas.
Um abraço para um Homem extraordinário.email:mmboa@msn.com


De Anónimo a 4 de Agosto de 2007 às 03:09
Pois.. essa é uma situaçao complicada, quando temos de decorrer ao divorcio e existem filhotes pelo meio, mas sei de fonte limpa que és bom pai, um bom amigo, e serás sempre aquele que ele terá e precisará nos bons aos maus momentos da sua vida.
Felicidades é o que te desejo a ti e ao pequenote.
Agora toma cuidado quando voltares a entregar o teu coração, esxiste um velho ditado ao qual eu sou apologista:
' Quem vê caras e 'sexo', não vê corações, em primeiro lugar a felicidade do teu filho, claro que nunca esquecendo a tua felicidade, mas acho que já tiveste o exemplo!
Abraço.


De Anónimo a 3 de Agosto de 2007 às 20:21

O primeiro dia
Sérgio Godinho

A princípio é simples anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se no silêncio e no burburinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que leva a peito
bebe-se come-se e alguém nos diz bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vem cansaço e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso por curto que seja
apagam-se duvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vaza
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida


De Minerva a 3 de Agosto de 2007 às 18:46
Olá

Realmente, pelo que descreves não foi um momento fácil de viver... mas com certeza foi mais bem dificil para o menino. Uma mãe é essencial mas um pai é indispensável na vida de uma criança. Espero que ela se aperceba disso...
Não nos podemos esquecer do que sentiamos quando éramos apenas filhos...

Um abraço.

PS: Gostei bastante do blog, acho que vou passar mais vezes.


De Cristal a 3 de Agosto de 2007 às 18:36
Se há pessoas que na vida merecem ser felizes e ter uma nova oportunidade essa pessoa és tu.
Do que te conheço sei que acima de tudo o mais importante é o bem estar do teu filho e a decisão tomada, por muito que te tenha custado, foi de certeza a mais acertada.
Por vezes a vida que não é como queremos e sofremos desilusões, dissabores, mas também sei que como homem forte que és, consegues ultrapassar tudo isso......
Quanto á frase" hoje é o primeiro dia do resto da minha vida..." acho que traduz que uma nova vida te aguarda , para a frente amigo e cá estarei sempre para te ouvir
Beijos cristalinos para os dois homens


De caixapreta a 3 de Agosto de 2007 às 17:08
Fico contente, sei avaliar "por alto" o que significa para ti...
Tudo de bom de hoje em diante, para ti e para o menino...
Beijo


Comentar este texto vadio

homem de negro
Procurar vadiagens
 
Janeiro 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


Vadiagens recentes

Parabéns...

Minha querida India...

Amor incondicional...

Amor incondicional...

Procurando...

Coisas que eu sei...

Ora pois...

El comandante...

You and I...

...

Até amanhã, camarada...

Um ano mais....

Dias felizes...

O menino e o cão...

Hoje é sexta feira 13...

25 de Abril sempre?

O tempo e saudade...

Olá...

Até já...

Recordar-te...

Vadiagens guardadas

Janeiro 2016

Novembro 2015

Março 2014

Janeiro 2014

Outubro 2013

Junho 2013

Maio 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Julho 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Setembro 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

antros de perdição
blogs SAPO
subscrever feeds