Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Terça-feira, 8 de Agosto de 2006
Um rio de saudades...

     Tinha nos lábios o sabor dos lábios dela, sentia ainda aquele gostinho do seu carinho e no rosto as carícias que ela lhe tinha dado durante todo o dia… E recordava… Os últimos beijos foram trocados no fim da tarde, dentro do carro dele, antes de irem cada um para seu lado. Abraçaram-se intensamente, como se tivessem medo de se perderem na vertigem da vida, como se receassem nunca mais poder voltar a fazê-lo…

    

     Tinham-se encontrado logo pela manhã num local afastado das casas de ambos. Sabiam que viviam um amor proibido e que este não poderia ficar ao alcance dos olhares de pessoas indesejadas, sabiam que tinham de resguardar e proteger aquilo que de mais bonito sentiam…

    

     Foram, depois, no carro dele, visitar um local que ele conhecia e que sabia que ela ia adorar… Pararam no alto de um monte para ele lhe mostrar o local que iam visitar lá em baixo, junto a um pequeno rio. Nessa altura, olharam-se e ele tomou a iniciativa, puxou-a para ele e beijou-a ternamente, ela não resistiu e correspondeu ao beijo dele, os lábios encontraram-se e uniram-se, os corpos juntaram-se, as mãos acarinharam-se…

     Desceram ao rio, de mão dada, como dois namorados, passaram uma velha ponte romana e olharam o rio que corria lá em baixo entre o verde e as rochas. Ela apaixonou-se logo por aquele local, onde o rio corria mansamente por entre as enormes pedras, molharam as mãos e sentaram-se numa pedra, nos braços um do outro.

    

     Trocaram carinhos, mais beijos, abriram-se, ele olhava-a enternecido, ela via no rosto dele o quanto gostava dela, sobrevieram as lágrimas que ele limpou ternamente, que ele provou, que ele amou... Foram almoçar juntos num restaurante simpático e durante a refeição falaram deles, dos seus sentimentos, do quanto gostariam de ficar juntos, do que os aproximava, olhavam-se encantados pela magia daquele momento, bebendo todos os minutos em que podiam estar juntos, partilhando-os.

    

     Sentiam uma enorme vontade de se tocarem, o que acabaram por fazer por baixo da mesa, com os dedos entrelaçados, com o olhar sedutor dele no olhar expressivo dela… Tanto se amavam, que até doía…

    

    Voltaram ao rio, descalçaram-se e brincaram com os pés na água, naquela tarde quente, naquele local maravilhoso. Sentaram-se no chão, o tempo passou a correr, eles isolaram-se do resto do mundo, desejando que as horas tivessem uma duração eterna… Os beijos tornaram-se mais intensos, mais intímos, mais sensuais, mais fortes… As mãos dele salpicaram-lhe o rosto com água, o peito, os seios, as pernas, os pés. Ela fechou os olhos, sentindo-se terrivelmente excitada, tal como ele, os dedos dele percorreram o corpo dela, confundindo-a pois não sabia onde terminava a água e começava o suave ronronar daqueles dedos marotos.

    

     Deteve-se no seu centro de prazer, acariciou-a docemente, devagarinho, depois de forma mais intensa, penetrou-a com os dedos, ofereceu-lhe o prazer que a intensidade do momento, a beleza do local e o que sentiam um pelo outro os obrigavam a ter… O orgasmo dela foi brutal, intenso, com o corpo em convulsões e os lábios a soltarem palavras desconexas. Ele apertou-a contra si, para que ela sentisse que ele estava ali, que a protegeria sempre que ela precisasse, que a amaria se ela um dia pudesse…

    

     Quase fizeram amor nessa tarde… os botões dos calções dele ainda chegaram a ser desapertados, mas depois sobreveio uma coisa que os humanos têm e que chamam consciência, no instante decisivo ela teve medo de dar aquele último passo e consumar a paixão que sentia por ele… A verdade é que ele a amava… e por isso respeitou o medo dela, por isso aguentou embora se sentisse terrivelmente excitado, mas, no entender dele, aceitar o não também era uma forma de lhe dizer que gostava dela, independentemente daquilo que a vida lhes reservasse…

    

     Controlou-se, acarinhou-a, deu-lhe o conforto dos seus braços, voltou a limpar-lhe as lágrimas, salgadas, ao mesmo tempo tão doces, porque continham a intensidade do amor dela por ele… E, de facto, naquela tarde, naquele local, o quase aproximou-os ainda mais… Foram, na verdade, um só, não fora pela vida que já os tinha separado anteriormente e teriam ficado juntos, definitivamente, para sempre…

      

     Caía a tarde, era tempo de voltarem… Subiram o monte, despediram-se do rio, atravessaram novamente a velha ponte romana e ficaram a contemplar, abraçados, as águas mansas que atravessavam o seu cantinho, onde o seu amor aconteceu. E no final do dia ainda tiveram tempo para partilharem um gelado, ele de chocolate, ela de limão…

    

     Tinha ainda nos lábios o sabor dos lábios dela, sentia ainda aquele gostinho do seu carinho e no rosto as carícias que ela lhe tinha dado durante todo o dia… Ficou a vê-la ir embora, novamente com o coração apertado, novamente triste por amar alguém que não o podia amar livremente…

    

     Nas suas costas, o por do sol era intenso, maravilhoso, contrastando com o negro que lhe ia na alma e que lhe fazia doer o peito. Uma lágrima fugidia espreitou-lhe nos olhos. O carro dela afastou-se no meio do trânsito… Ele fez-se à estrada e seguiu o seu caminho…

    

     Um dia, talvez, quem sabe…



vadiado por homem de negro às 00:30
Ligação vadia | Vadia para mim

14 comentários:
De Anónimo a 14 de Agosto de 2006 às 02:20
MIB espero que tenhs 'xutado' muito é só para dizer:

PARABÉNS hoje a 14 de AGosto nasceste tu que és um ser humano fantástico, e o homem que muitas mulheres procuram, beijos e passa um dia feliz.


Rats


De Anónimo a 13 de Agosto de 2006 às 21:23
SEMPRE SUSPEITEI DE TI ... MERDOSO/A .


A HISTORIA DO TEU MENINO, DA MORTE DA TUA IRMA, ... VAI BUGIAR... JÁ NADA ME SURPREENDE!


GENTE ANORMAL !!! VAI BRINCAR COM ...SIM QUEM TUSABES E EU TBEM!


De hatamãe a 12 de Agosto de 2006 às 14:18
Muito obrigada pelas visitas...

PARECES MAIS ANIMADO



Fico contente, e, que encontres, se não tiveres já um princesa.

<beijos» vadio...


De Anónimo a 13 de Agosto de 2006 às 21:17
HÁ MOTES DE TEMPO QUE SABIA QUE ERAS PARVO/A , VAIS APORVEITANDO OS COMENTARIOS


De Anónimo a 13 de Agosto de 2006 às 21:26
QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ... É POR DINHEIRO? OU PURA DIVERSÃO???


De Marisa a 10 de Agosto de 2006 às 10:04
Olá Homem.
Foi un vero piacere ler este teu texto, caramba que delicia.
Tu escreves tão bem, de uma sensibilidade fantástica, que coisa maravilhosa.
Não precisas de colocar cá textos de outros, os teus são fenomenais, amei.
Muitos parabens.


De Cristal a 10 de Agosto de 2006 às 08:51
Saudades..........

Saudades! Sim ... talvez... e porque não? ...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até á morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esqueçer! Para quê? ...Ah ! como é vão!
Que tudo isso, Amor, não nos importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes , Amor, já te esqueçi
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem me dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca


Mais um poemita... beijiokas.


De anonimo a 10 de Agosto de 2006 às 05:31
Existem palavras que por serem tão simples e tantas vezes ditas, se tornam autenticas setas, que se espetam naquele nó que só as gargantas apaixonadas conseguem sentir.....

um abraço

soliva


De Anónimo a 9 de Agosto de 2006 às 17:24
Lindo como sempre, mas ao ler este teu post fez-me lembrar uns amigos meus que viveram e vivem um sonho "impossivel".....
..... como eles dizem quem sabe um dia.

beijos
Patusquinha



De Anónimo a 9 de Agosto de 2006 às 13:09
e foi esta frase poética que me fez lembrar daquele poema:

'Tanto se amavam, que até doía…'

Rats


De Anónimo a 9 de Agosto de 2006 às 13:08
As fotos estão lindas, fantásticas, apetece nos ir até lá...

O pior foi a da posta de bacalhau do post anterior que me deixou de água na boca...

O conto já te disse aquilo que pensava mas posso postar aki um pseudo poema?

posso? posso?

uma vez que nada disses...

perdoa me a ousadia

e nada tem a ver contigo mib, não te assustes (lol) foi uma coisa que escrevi há algum tempo e que me lembei agora depois de ler o teu conto.

Amo-te

Vieste sem te esperar
E já te amo demais
Te quero como ninguém
Te espero, mas não vens
Te amo tanto que dói
Chegas com um sorriso
Vejo carinho no olhar
A boca a pedir beijos
Das mãos nascem desejos
Te amo tanto que dói
Vivo os dias a sonhar
Só sei pensar em ti
Na magia dos momentos
Nos intensos sentimentos
Te amo tanto que dói
Vivo presa à incerteza
Sonho sempre mais além
Te amo tanto que dói
Esta dor que me destrói
Nunca me leva o Amor…


Rats

Xau


De Dulcilena a 9 de Agosto de 2006 às 11:02
Estas fotos fazem-me lembrar a Serra do Gerês, é linda. Aquele verde, o rio, tudo tão imenso.
Quanto ao resto, não tenho palavras é lindo demais. Homem tu és lindo por dentro, tens um coração enorme.
Beijinhos


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