10 comentários:
De fernanda a 14 de Setembro de 2006 às 21:49
um dos poemas mais bonitos que conheço...
ouvi-o pela 1ª vez, quando estava no 11ºano..., às uns anitos...,marcou-me para sempre...
como todos os poemas de José Régio...
adorei a escolha...


De anonimo a 10 de Agosto de 2006 às 06:12
e já que de grandes poemas feitos por grandes portugueses e portuguesas se fala aqui, junto envio um daqueles que considero mais lindo desta lingua portuguesa. Foi escrito pela açoreana (já falecida) Natália Correia (a quem um dia entrevistei) e pode ser ouvido (em vinil e em cd) dito pela autora ou magistralmente cantado por José Mario Branco. Chama-se "Queixa das Almas Jovens Censuradas" e é assim:


Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte


De soliva a 10 de Agosto de 2006 às 06:01
o João Vilarett dizia estas palavras com uma intensidade ensurdecedora. São antigas as palavras, mas sempre actuais e servem para afirmar que não somos carneiros numa manada onde só o pastor "bota faladura". Valeu a recordação de um poema sempre actual.

soliva


De rosa maria a 7 de Agosto de 2006 às 21:40
O texto é magnifico...mas confesso-te que me foi dificil prestar-lhe a atenção devida...A culpa é dessa fotografia que não tem classificação possivel... é de uma beleza que até dói!!


De Essa Miuda a 7 de Agosto de 2006 às 10:28
Ahhhhhhhh ... Um dos meus poemas preferidos... que constava do meu velhinho blog... Parabéns pela escolha do poema, tem uma mensagem muito intensa... Beijinho.


De Dulcilena a 7 de Agosto de 2006 às 10:11
Um dia disseste-me que eras loiro.......... eu sei.
Eu não sou loira, mas não tenho o teu Dom.
Adorei a foto e quanto ao cântico...... não tenho palavras, é lindo.

Beijinhos


De Cristal a 5 de Agosto de 2006 às 09:55
Sem palavras......
Beijinhos e bom fim de semana.


De Maria Alfacinha a 4 de Agosto de 2006 às 20:30
Escolheste um dos meus hinos, sabias ?
Costumam brincar com isso dizendo: "Ela não sabe por onde vai, mas sabe que não vai por aí..."
Coincidências, né ?
Beijo


De Lobaaaaaaaaaaaaaaaaa a 4 de Agosto de 2006 às 18:37
O cantico é lindissimo... muito intenso...e sei que tem algo a ver contigo... mas o que me fascinou mesmo, mesmo, mesmo foi a foto... estive 10 minutos a contempla-la... encantadora... por momentos fiquei na dúvida se tinhas tirado ao ceú (mas rochas no ceú era cmplicado)... um espelho autentico. Tens de publicar mais fotos destas... eu amei! Beijos a tu.


De crowe a 4 de Agosto de 2006 às 18:37
Olha, olha, olha... mas devagainho ou ficas tonto... (((;) )) Eu conheço este poema... e gosto dele, muito!


Comentar este texto vadio