Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Terça-feira, 23 de Setembro de 2008
Desgovernos da nação...

 

 

(fonte: internet)

     Como é do conhecimento de quem por aqui passa, o meu filho entrou este ano para a escola primária, vai na segunda semana de aulas e parece-me que as coisas estão a correr pelo melhor, pelo menos por agora. Já tem a noção do espaço dos mais velhos e do seu próprio espaço, bem como de dever procurar ser amigo daqueles que estão com mais dificuldades de integração porque rir-se é mais fácil. A velha máxima do pai em acção, somos uns para os outros...
     Sendo que é o seu primeiro ano, é um daqueles meninos que vai poder ter o computador Magalhães a preço simbólico, o que eu considero (ter um computador) nos dias que correm ser uma coisa absolutamente normal, de facto creio que os nossos filhos nos dão, hoje em dia, lições de informática. Menino mestre, assim seja, caberá a nós pais depois verificar por onde vadiam eles para que as surpresas não venham a ser muito desagradáveis...
     O que me leva a redigir estas palavras, é o reverso da medalha. Dar computadores a crianças da primária que depois vão para uma escola com as paredes a precisar de tinta, com o frio a entrar pelas frinchas da janela, com o calor a marcar o seu espaço, sem local para brincar, com uma semana de escola e o leite só começar a ser distribuído ontem, com o material escolar a ser contadinho, com o papel higiénico a faltar nas casas-de-banho, sem local para fazer ginástica, com tudo a ser poupado até ao mais infímo tostão, parece-me um contra-senso...
     Mais, para não chamar os bois pelos nomes, parece-me mesmo é mais um atirar de areia para os olhos dos portugueses, tipico de país governado por politicos de terceiro-mundo, ávidos de protagonismo e de show-off (fica bem aqui este exemplo do inglês que ensinam aos nossos filhos), dar computadores a crianças de seis anos, mas fazê-los ir para escolas que até nos envergonham a nós pais de os levar para lá porque nem todas as crianças podem ir para escolas privadas. E no fundo qualquer pai apenas quer deixar o os filhos numa escola digna...
     E depois de fechadas inúmeras escolas por esse país fora que até tinham boas condições, mas que não eram rentáveis porque ficavam nas terrinhas onde os professores chegavam com dificuldades. E fechadas muitas outras com consequente sobrelotação e utilização de contentores para dar aulas nas escolas mais centrais. Acredito até que, por muito que  os professores e auxiliares se entreguem ao espírito de missão, não há calor humano que diminua determinadas necessidades e desculpe outras tantas fantochadas...
     Não me fodam, pá. A sério. Cada coisa a seu tempo e cada qual no seu lugar. Dar computadores aos putos, certo. Mas depois de todas as outras prioridades estarem cumpridas, depois das escolas serem efectivamente locais onde valha a pena ir para aprender. E crescer saudávelmente. Por dentro e por fora, que com exemplos destes tenho sérias dúvidas se o Estado é pessoa de bem. Pelo menos este Estado. Razão tinha a t-shirt que encontrei no Bairro Alto e que dizia "Da próxima vez vamos votar nas putas, já votámos nos filhos e foi o que se viu"...
 
     A gente vê-se por aí...
 

sinto-me: tenho que me rir...
música: jardim da mocidade - cabeças no ar

vadiado por homem de negro às 14:18
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Nunca diga ao seu filho...

 

 

Conheça as frases e as palavras proibidas
 

O medo do abandono é um dos grandes terrores das crianças desta idade. Existem frases que só vêm agravar este receio:

 

«Deixa-me em paz»
Quando esta expressão se torna rotina, a criança interiorizará que os pais não estão disponíveis para ela. Os pedidos de ajuda talvez diminuam, mas por abandono e falta de confiança.

 

«És mesmo...»
Parvo? Chato? Quando os pais estão zangados, tudo pode vir a seguir e provavelmente algo de tenebroso. E se a classificação é má, provavelmente a criança irá pensar que os seus dias naquela casa estão contados.

 

«Vês a mana? Nunca faz coisas destas»
Dizer que a irmã é melhor que ela é sinónimo de dizer a esta que não gostamos o mesmo dela e que, se tivermos um dia que optar por alguma delas para abandonar, esta estará no primeiro lugar da fila.

 

«Espera até o teu pai chegar a casa!»
Os conflitos devem ser resolvidos imediatamente. Até o pai chegar a casa já a criança terá esquecido o episódio e não entenderá por que está a ser punida ou estará numa enorme angústia antecipatória.

 

«És sempre a mesma coisa»
A criança irá pensar que se é sempre a mesma coisa não valerá a pena esforçar-se mais porque faça o que fizer será sempre... a mesma coisa.

 

«Fazes da minha vida um inferno!»
Acusar uma criança, que acredita em tudo o que os pais lhe dizem, que ela é a causa de uma vida miserável, roça o obsceno. Sobretudo porque ela não pode fazer nada para modificar o facto de existir.

 

«Não te deixo ir para casa dos avós»
«A casa dos avós é, para a criança um espaço de alegria, porque geralmente acontecem lá coisas boas e engraçadas, de liberdade, de transgressão, e isso ajuda a criar um clima de confidência que, mais tarde, poderá ser muito útil», refere o médico pediatra Mário Cordeiro.

 

«Já não gosto de ti!»
«O mimo é infinito e não faz mal a ninguém. Mais vale embalar o seu filho e dar-lhe colo securizando-o e acalmando-o do que deixá-lo chorar, criando uma pessoa infeliz e descrente na força do amor e do carinho», refere ainda.

 

 

Texto: Vanda Oliveira
Fonte: Adaptado de «O livro da criança», Mário Cordeiro, A Esfera dos Livros

 



vadiado por homem de negro às 10:06
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008
Apresentação...

 

 

 

     No fundo, foi apenas para travar conhecimento com a professora primária e conversar um bocadinho. Mas deu para conhecer novos meninos, conhecer os seus pais, reencontrar outros meninos e outros pais, ver como era a escola por dentro, conhecer quem faz do ensinar os filhos dos outros a sua profissão e aqueles que os auxiliam...

     A escola em si é velhinha, bonita, mas de salas de pé muito alto e que serão seguramente frias no Inverno e quentes no Verão. Espero que se encham de calor humano, a professora pareceu-me muito dedicada e simpática, os meninos da turma A são isso mesmo, meninos, de olhos grandes e muito abertos para tudo o que os rodeia. E logo foram recebidos com um diploma de boas-vindas e um beijo da sua professora...

     Um reparo apenas, apesar das paredes velhas a precisar de tinta e de desenhos colados (o que eles vão fazer durante o ano), entristeceu-me o exíguo espaço que têm para brincar, sempre são 115 crianças, mas a escola, situada no centro da cidade, não tem para onde crescer. O recreio lembrou-me mais uma prisão...

     Espero que o meu menino cresça para  vida e que respeite aquele espaço e igualmente quem lá trabalha. Vou esforçar-me ainda mais para o acompanhar, para acompanhar as suas pequenas coisas e as suas muitas dúvidas. Ele gostou da escola e logo disse "Já não quero ir-me embora", pelo menos por aí fiquei mais descansado, agora é caminhar a seu lado e amparar-lhe esta nova caminhada...

     Já tem os cadernos (oferta da Câmara), a mochila, os livros (cortesia de uma amiga), está pronto para começar. Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas, vamos em frente com a certeza que tudo faremos, eu e a mãe dele, para que ele continue a ser uma criança feliz e de bem com a vida... E acompanhado por esta musica que cantámos até è exaustão nas nossas ferias alentejanas...

     Que assim seja... A gente vê-se por aí...

 

 


sinto-me: vai ser um dia bom...
música: a corrente do jogo - cabeças no ar

vadiado por homem de negro às 00:48
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008
Em dias assim...

 

 

 

     Entram-me pela alma os sons desse piano, aperto a cabeça entre as mãos, solto a dor e a mágoa que trago hoje no coração. Sinto demais todos esses anos, 17 mais exactamente, contei-os todos, um a um, pontuei-os com tantas lágrimas, com tanta vontade de te voltar a ter nos meus braços e dizer que te amo, que sempre te amei...

     Um a um, mais um, cada ano um pouco mais fácil de viver que o anterior, em comum a recordação de dias maus em que te vestimos essa maldita mortalha, de sempre o chorar com o rosto apertado por entre os dedos retorcidos pelo desespero. Aprendi a viver com a dor mas nunca soube o que fazer com as recordações...

     17 anos, irmãzita, 17 anos de lágrimas, de saudade, de olhar para a injustiça de viver com essa dor, de querer apenas não sentir, de desejar voltar a ter o teu mundo envolto no meu abraço, de poder ainda dizer-te tudo o que não te disse...

     Entra Setembro, logo a seguir às férias, e sei sempre dos dias maus que chegam, que estão lá mais para a frente quando o Verão se começa a querer ir embora. Chove lá fora, sentei-me na entrada da nossa casinha, fui com a mãe prestar respeitos à tia pois um cabrão qualquer matou o tio Vergílio com um carro, logo mais a família há-de reunir-se para mais um funeral, como há 17 anos atrás...

     Que dizer então quando apenas as lágrimas confortam a alma? Que fazer da vida quando a tristeza parece ser o registo comum da maior parte das vivências? Para onde posso ir que não sinta esta enorme vontade de fugir, de não querer, de não sentir, de já não ser...

     Refugio-me em mim, como sempre, nas minhas palavras, na minha persistência de sempre tentar dar a volta, na minha esperança terna e eterna em dias melhores, na vontade de voltar um dia a ser mesmo feliz. Como nesses dias de correrias e brincadeiras que partilhámos e que o tempo e o grisalho dos meus cabelos vai desvanecendo da memória...

     Sinto-me tão perdido... Vela por mim, irmãzita, que hoje não sei quem sou...

 

 


sinto-me: cansado da vida...
música: hello - evanescense

vadiado por homem de negro às 00:25
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008
Endless times...

    

 

     O sabor do tempo de passeio e dos encantos da minha pequena companhia já lá vai, as ferias são apenas uma recordação que trouxe na minha memória e na das minhas câmaras. No entanto, o próprio tempo ainda não deu para sossegar e falar sobre elas e sobre a vontade que tive de não me vir mais embora...

     Seja como for, talvez volte um dia destes... Porque o tempo podia ter parado ali para que eu não tivesse mais necessidade de voltar... E ficar eternamente de costas deitado na erva a olhar as estrelas no céu e a pensar o quão feliz se pode ser com coisas tão simples...

 

 

 


sinto-me: a sonhar com o céu...
música: a explicação das estrelas - cabeças no ar

vadiado por homem de negro às 10:38
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