Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Quinta-feira, 5 de Novembro de 2015
Minha querida India...

 

Volto a trazer este texto escrito a duas mãos. Simplesmente porque a Igara, a minha India da Nazaré, já desta vida se apartou. Quando os dias ficaram maiores e cheios de sol..

 

Até um dia. A gente vê-se por aí...



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Amor incondicional...

 

Parte II

 

 

     Isabel partia assim, tentando deixar para trás as mágoas, os pensamentos, as dores.

     Enquanto o velho autocarro rumava a S. Martinho do Porto, ela despedia-se da terra que a vira nascer, e das memórias que queria aprisionar nesse espaço, que tanto a fizera feliz, mas que lhe havia causado tanta dor e sofrimento.
     Recordou os tempos de menina, quando buscava o colo de sua mãe, procurando nela mil afectos, deixando-se embalar pelo som cantado da voz que lhe dava segurança e a envolvia em serenidade. Mais uma vez buscou o seu pai no pensamento. Buscou-lhe o rosto moreno, que sempre havia estado presente em tantos momentos da sua vida. Tentou sentir todos os abraços partilhados numa cumplicidade feita de anos. Ele havia sido a sua perda mais recente, ela ainda não conseguia conter as lágrimas, quando o chamava ao pensamento.
     Através da janela do autocarro, vislumbrou João.
     João tinha sido o seu amigo de sempre. O que tinha convertido o seu pranto em sorrisos, o que estivera sempre presente em todas as suas dores. Aquele que teimava em ficar presente em todos os instantes da sua vida, especialmente naqueles em que as palavras faltam mas onde a presença dizia mais que mil palavras.
     Recordava os areais que trilharam juntos, partilhando apenas com as estrelas os segredos da alegria que sentia quando o sabia por perto. Sentia que tinha começado a conhecer a vida pelas suas mãos, tanta era a entrega, tanta a beleza que via nos seus olhos. Os olhos de João, castanhos e amendoados, permitiam que ela conseguisse ver-se reflectida neles. Muitas vezes julgou que eram dela aqueles olhos que brilhavam para si.
     Era certo que o amava. Amou-o como menina, quando buscava a sua mão em jeito de desafio e depois corriam juntos, por aquela praia, que parecia infinita. Amou-o como mulher menina, quando buscava em outros homens, aquilo que João não lhe dava, mas que ela sabia fazer-lhe falta. Nessa data, teve a certeza que João jamais a amaria. Soube que ele permaneceria do seu lado como fazem todos os grandes amigos, mas que jamais a procuraria para a fazer sua, de corpo e Alma. Amou-o como mulher, quando desejou que ele a tivesse e partilhasse a sua vida com ela.
     Não conseguia definir o quanto amava, sabia no entanto, que João era parte da sua vida.
     Foram tantos os dias em que ela imaginou que ele a buscava. Foram tantos os dias em que ela os imaginou juntos numa entrega que apenas os seres que se fundem na Alma conseguem...Foram tantos os dias em que esperou, com o coração nas mãos o seu regresso desse Mar que tanta dor lhe causara. Tantas vezes ao ver surgir ao largo o seu barco, havia agradecido a Deus que o seu João estivesse a salvo... 
     Enquanto os pensamentos a envolviam, ela chegou ao seu destino. Esperavam-na os tios Fernando e Magda, que a acolheram de imediato, num abraço fervoroso. Ela abandonou os pensamentos e caminhou rumo à sua nova vida, certa, que essa mudança alinharia o seu horizonte, e pintaria os seus viveres de novas cores. Iria iniciar uma nova fase, e estava determinada a ser feliz, era isso que desejava, era isso que iria conseguir para si.
     Nesse dia, á hora do jantar, conheceu o David. David, vivia num quarto alugado e partilhava a casa dos seus tios. Rapaz da cidade, de aparência bonita, trajando de forma simples mas cuidada, de conversa fácil e de onde se deduzia uma grande riqueza do saber. Durante esse jantar, depois de feitas as apresentações, os olhares de ambos cruzaram-se algumas vezes. Nos olhos do David visualizavam-se sorrisos, que alternavam com expressões faciais de traçado fino, acentuadas pela tez clara e macia.
     Desde esse dia, que se permitiram cumplicidades, nascidas da urgência de partilha que Isabel sentia que necessitava, nascidas daquele sentir simples que David desconhecia e que lhe aprazia.
     Isabel começou a trabalhar numa retrosaria, continuava em casa dos seus tios e mantinha por perto a presença de David. Ele ensinou-lhe a ver outro lado da vida, que se perdia nos cafés, nas noites aclaradas pelo brilho das iluminações citadinas. Ensinou-lhe o riso forçado que se consegue apenas quando o coração consegue mentir nas coisas que sente.
     Quanto mais conhecia o David, mais se acreditava que estava a viver uma história baseada na novidade, na sabedoria, e no deslumbramento que ele lhe causava. No entanto, passaram-se os dias, os meses... Isabel, que havia decidido tomar o seu destino nos braços, quanto mais conhecia daquela vida, menos se identificava com ela.  Lentamente, João foi voltando a ocupar espaço no seu pensamento. Voltou a lembrar as noites iluminadas pelas estrelas, voltou a recordar a sua pele marcada pelas lides do mar. Recordou as suas mãos calejadas das redes, mas que tanto a haviam acalentado em momentos de dor sentida. Relembrou os risos sinceros, de quem sorri apenas quando a alma dita e o coração pede.
     Houve um dia, em que a saudade fez um apelo maior. Decidiu que o seu destino iria passar pela felicidade de ter a seu lado o Amor que sempre estivera perto, mas que agora se fazia distante. Sabia que não iria querer perder o João. Já tinha perdido demasiado da vida, já tinha perdido tempo demais. Era hora de retornar ás origens e afastar os fantasmas da sua vida. Um apelo vindo do peito, indicava-lhe o caminho de retorno a Nazaré.
     Nesse dia, ela despediu-se dos tios e do David, deixando em aberto a possibilidade de voltar, caso as coisas não lhe corressem de feição. David, sabia, desde sempre que este seria o desfecho da história de Isabel. Sabia, que ela não iria voltar, por ter a certeza, que ela iria ser feliz. Sabia, que Isabel, poria nesse dia um ponto final na sua busca pela alegria.
     Isabel partiu!
     Durante a viagem os pensamentos não se adensavam na paisagem, não se concentravam nos caminhos, não se detinham nos rostos de quem com ela seguia, convergiam apenas para a figura de João.
     Findas duas horas e pouco de caminho, ela chegou.
     Foi a casa do João, para saber dele, a mãe de João com os olhos rasos de água indicou-lhe a praia onde ele deveria surgir a qualquer momento.
     O entardecer estava lindo, matizado em tons de luz. Isabel desceu á praia, sentou-se na areia e ficou a aguardar surgir no horizonte, a silhueta do barco de João. Finda uma hora, lá se vislumbrou a luz de presença da embarcação que traria João de volta para si. Ela dirigiu-se para a zona de atracagem e aguardou a chegada.
     Quando João saiu da embarcação trazendo em braços o quinhão da sua pesca, nem acreditava que fosse Isabel a estar ali. Como ela estava bonita!!! A noite, que tinha feito descer um véu de estrelas, pintava de luz e devolvia a Isabel todos os traços de mulher menina, que anos a fio lhe haviam dado sentido à vida. Ela sorria-lhe, e fazia-lhe sinais para que ele fosse ao seu encontro. João, deixou tudo o que tinha em mãos, e seguiu na direcção de Isabel, apertando-a nos seus braços. Deve ter sido o abraço mais uno que alguém recorda. Enquanto se abraçavam, Isabel sussurrou-lhe saudades, falta e da alegria de tornar a ter. João, nem acreditava que desta vez ela estava de volta para ele. Desta vez, e porque a vida lhe dava esta oportunidade de ver transformados em realidade os seus sonhos, falou-lhe de Amor.
     Nessa noite, a praia, foi testemunha da comunhão de corpos que se fundem na Alma. Nessa Noite, a Lua de Prata, definiu a luminosidade daquele leito, que as estrelas abençoaram. Nessa noite, o Amor incondicional tinha ganho, ao tomar forma nos braços e corpos de João e Isabel.

 
Autora: Igara


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Amor incondicional...

 

Parte I

 

 

 

Não… O grito surdo ecoava apenas na sua mente… Não, voltou a abrir a boca para gritar, mas apenas a sua mente ouvia o desespero que sentia roer-lhe o ser…
Correu atrás do velho autocarro da Rodoviária Nacional até as forças lhe faltarem e cair de joelhos com a dor a martirizar-lhe a alma, com o corpo preenchido por uma dor que até aí lhe fora desconhecida. Não, voltou a tentar gritar, mas apenas a boca se abria, as grossas lágrimas que lhe caíam do rosto traziam um pouco de calor aquele rosto gelado pela chuva intensa que caia…
Conhecera-a desde sempre, cresceram juntos partilhando as ondas da Nazaré, dividindo as noites em que juntos com as mulheres mais velhas rezavam e esperavam que o mar lhes trouxesse de volta os homens que tinham ido para a faina. Dias duros, aqueles, em que para por um pouco de pão na mesa os homens davam em troca às vezes a própria vida, lutando contra um mar duro que tantas vezes recompensava com a morte quem tanto o amava…
Lembrava-se dos dias em que o mar parecia fugir para longe deixando livres os areais situados no sopé do velho forte, levando os miúdos da sua idade em romaria até aquele local para brincadeiras que pareciam não ter fim. Lembrava-se de ver chegar a noite deitado na areia da praia, lado a lado com ela, sentindo-se o miúdo mais feliz do mundo, tendo por companhia uma ilusão e as estrelas no céu que pareciam abençoar aqueles momentos.
O sol ia dormir em pores-do-sol de uma beleza impressionante, a lua acordava e dava ao mar aquela cor prateada que os pintores lutam por conseguir e que enche a tela de luz… Sensações que ele não sabia descrever, mas que a presença dela tornava realidade na sua mente e que valiam uma vida…
João nunca tivera ninguém a seu lado pois aprendera amá-la só a ela, não precisava de ter mais ninguém pois ela significava toda a sua existência. Na escola primária partilharam a mesma cadeira, dividiam o lanche, estavam sempre juntos em correrias e brincadeiras, os outros miúdos diziam que eram namorados e eles coravam até à raiz dos cabelos negando uma evidência para toda a gente, menos para eles na sua cândida inocência…
Cresceram e João tomou o caminho do mar, como fizera seu avô, como fazia seu pai. Nunca chegou a dizer-lhe que a amava mais do que tudo na vida, nunca chegou e pedir-lhe que partilhasse a vida com ele. O sol e o sal tisnaram-lhe a pele e deram-lhe músculos e a resistência de um homem ainda a viver no corpo de um menino, a vida deu-lhe outros desafios, mas nunca teve coragem para lhe confessar que a amava e que a queria sua. Nos bailes de sábado à noite via-a a dançar com todos que lhe pediam e ele, com a alma dorida pela sua falta de coragem, ficava num canto a beber cerveja atrás de cerveja, esperando que o álcool lhe desse a força que precisava para se acercar dela e arrebatá-la dos braços dos outros homens, mas isso nunca acontecia e regressava a casa com os sentimentos entorpecidos e sentindo-se o homem mais só do mundo.
Apenas a mãe sabia, as mães sabem sempre o que vai no coração dos filhos. Ela própria já dissera a João que falaria com a sua amada, mas ele proibira-a terminantemente de o fazer. Amava-a no seu desespero, na sua solidão, da forma que sabia e tentava, assim, ser o mais feliz possível, sentindo-se sempre incompleto… Isabel teve namorado atrás de namorado, parecendo procurar sempre algo mais que ninguém parecia saber dar-lhe, contribuindo para o desespero dele que continuava a achar que só existia ela no mundo e que um dia o destino acabaria por os juntar…
A pele morena dela e os seus longos cabelos negros encantavam os seus sonhos, faziam-no sonhar com o dia em que os seus corpos se juntassem na areia de uma praia qualquer onde a lua e o mar viessem abençoar tanto amor, durante tanto tempo cultivado em silêncio… Para João ela não passava de um dos seus muitos sonhos de homem simples que apenas queria acarinhá-la, abraçá-la, amá-la com todo o seu ser, dar-lhe a sua vida…
Quase pensou consegui-lo no dia em que mãe de Isabel faleceu depois de muitos dias de luta inglória contra uma maldita doença que a comeu até aos ossos. Nesse dia João sentiu-se, apesar da tristeza do momento, o homem mais feliz do mundo pois voltou a ser o eterno companheiro dela, durante todo o dia abraçou-a, partilhou as lágrimas dela, acarinhou-a, como se voltassem os dois a ser meninos em eternas brincadeiras praia fora. João foi a âncora dela durante muitos desses dias maus, foi a amarra que lhe deu forças a ela para enfrentar o mar revoltoso dos seus sentimentos e da dor que lhe cruzavam alma, foi aquilo que ele sempre quis, estar ao lado dela quando a vida lhes pusesse dificuldades no caminho. João sonhou então que, desta vez, ela seria sua, que nunca mais o deixaria sozinho na noite com as suas lágrimas por companhia e a sua solidão por destino…
João sonhou mas, uma vez mais, voltou a perder pois ela rejeitava a aproximação de toda a gente. Menos dele pois, para ela, ele significava um porto seguro para onde poderia sempre ir quando estava triste. Mais nada, apenas o seu melhor amigo…
João foi levando os seus dias, amparando a sua solidão com o muito trabalho que o mar lhe dava, um homem do mar é sempre um solitário apesar de ter o céu e as ondas por companhia. Via-a de vez em quando, o rosto amado emoldurado pelo negro dos cabelos, o corpo esguio de menina tomou formas de mulher, sempre um sorriso eterno para ele, o seu melhor amigo, ela a mulher por quem ele nutria um amor incondicional…
O mar, seu companheiro, seu amigo, seu confidente, pregou-lhe então a última partida. Os barcos saíram para o mar em dia de borrasca, era necessário continuar a trabalhar pois o mau tempo já levava muitos dias e não podiam mais ficar a aguardar dias melhores… Saíram, mas o mar alteroso reclamou a vida de alguns, o barco do pai de Isabel, anteriormente chamada de Pôr-do-Sol, depois da morte da mãe rebaptizado de Pouca Sorte fez jus ao seu nome, foi um dos que não voltaram apesar das rezas das mulheres vestidas de negro que choravam de joelhos na praia. João voltou e passou o resto da noite na praia, de mão dada com Isabel, à espera de quem nunca mais voltaria para acarinhar o rosto triste daquela menina que se fez mulher depressa de mais e à custa de muito sofrimento…
Nada mais prendia Isabel aquele mar que tão feliz a fizera, mas que tanta dor lhe trouxera. Para as mulheres, naquele tempo, não havia muito que fazer numa terra de homens do mar como era a Nazaré, ainda longe dos dias cheios que o turismo trouxe, a saída era ir para Lisboa, tinha por lá família que se prontificou a recebê-la e a arranjar-lhe trabalho, de forma que ela pudesse seguir com a sua vida…
Não, tentou João gritar enquanto o velho autocarro desaparecia na curva da estrada… Não…


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Procurando...

 

     Procura-me então, por vadios caminhos, que de mim muitas vezes não sei. A estrada, de tantas tristezas feita, é ainda caminho para outras tantas alegrias. De rua em rua, na boca o sabor do pó e da distância, na mente o querer nunca mais voltar, daqui não ser mais. Porque, nem eu sei bem, quando de mim saio em busca daquilo que tanta falta me faz, um olhar, um breve sorriso, um ser mais nós, um talvez um dia quem sabe...

     Procuro-te, em noites de antanho, em dias de sol à proa, em sentimentos dispersos. Não vás, fica ainda mais um pouco, que o tempo de nós foi por demais mágico. E tão pouco, sei-o bem. Fantástico, porventura, mas que um nós nunca mais saberá provar. E os devaneios ficam então, por entre a loucura, o não querer nunca mais voltar. Mas sem nunca querer partir...

     Procuras-me, eu sei, que nunca de mim partirás, que nunca o esquecimento é razão de viver, que nunca fugir pode ser forma de viver. Apenas de sobreviver, por entre a saudade e lágrimas fugidias de quem nunca soube como amar quem nunca como ser amado soube. É sentido, é ir, é um olhar por cima do ombro, ainda sonhando com tudo o que nunca foi e nunca será...

     Então ali, o mar, um por do sol, o descansar com o rosto pintado em tons dourados, o encanto do desencanto que entre nós brotou. E esperar que um dia, o tempo pare e deixe que a dor siga. Porque a vida, essa segue sempre, por mais que a rejeitemos e dela nos apartemos. Desenha-se um sorriso, de mil tristezas feito, de vivências magoado...

Um dia, talvez, quem sabe. A gente vê-se por aí...

 

 

 

 



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