Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
Dia de decidir...

 

 

 

     Dia de muitas decisões, ontem. Dia de clarificar posições, de as extremar, logo eu que não gosto nada de extremos, que acho que há sempre uma saída para tudo. No entanto, há alturas na vida que as coisas têm de ser definidas, tem de se saber com o que se pode ou não contar, ainda que posteriormente nos venhamos a arrepender das decisões tomadas. Sei lá, acho que a vida é feita de chegadas e partidas e no intervalo lá vamos vivendo...

     Pela primeira vez em mais de uma ano, os nossos salários estão actualizados. Um pré-aviso de greve forçou essa situação, ainda que a administração tenha ficado extremamente aborrecida. Mas com isso podemos bem, interessa é que agora já posso regularizar as minhas contas e pagar a quem devo, que é importante um homem andar de cabeça erguida na rua. E mais, deixo aqui novamente um agradecimento a toda a gente que se disponibilizou para me ajudar, sabem que vou guardar sempre isso no coração...

     Acabei por ter uma conversa séria com a mãe do meu filho acerca da forma como o estamos a criar. Tentei demonstrar-lhe que havia coisas que ela estava a fazer que eram impensáveis, acabei por perceber que o meu filho ia para a escola de manhã só com o leite no estômago porque não quer comer. Se ele come na minha casa, é apenas uma questão de pressão e de tacto, de negociar, de levar a nossa avante. E lá consegui que o gajo e ela entendessem que o conselho dos cereais que me deixou aqui mestre Sonhador é uma excelente opção. Ela aceitou o que eu lhe disse, ainda que com alguma relutância, mas depois reconheceu que é efectivamente o mais correcto, nomeadamente acerca do respeito que se deve aos pais. Fiquei satisfeito. Embora ache que foi só para eu não a inquietar. E porque precisa que eu fique com o meu filho este fim de semana...

     No âmbito das minhas relações pessoais, terminei com duas amizades que fiz aqui na net e que passei para a minha vida pessoal. Não consigo ser justo e correcto com essas pessoas, em parte, porque não entendo determinadas situações, sendo que aceito que isso seja uma limitação minha ou uma desconfiança injustificada, pelo que o melhor é afastar-me e seguir o meu caminho. Isto para não vos magoar porque guardo com muito carinho tudo o que me destes, devo-vos o facto de me ter reerguido em dias muito difíceis. Mas sempre vos digo directamente, e isto não são recados, sou eu franco e aberto com sempre fui, que nunca esperei chegar a esta situação, não gosto de extremos e vocês foram até esta data muito, muito importantes na minha vida. Gostava que o continuassem a ser, gosto demais de vocês por diversas razões, mas não consigo lidar com algumas coisas e não quero ser um peso morto na vida de ninguém. Saio eu, embora acrescente que nunca deixarei de escrever o que me vai na alma porque haverá sempre pontes que preciso de atravessar, ainda que isso possa ser mal entendido, mas a mente de cada um a cada um diz respeito...

     Um dia em cheio, de facto, merecia uma noite bem dormida mas acabei por dormir muito pouco, são muitos pensamentos a cruzarem-me esta cabecinha desnorteada. Tenho fases destas, nessas alturas sai-me da mente a maior parte das palavras e da poesia mal alinhavada que vou escrevinhando. Dantes bebia umas cervejas e dormia que era um mimo, mas a idade já não me permite muitos desses devaneios, no entanto como amanhã é feriado pode ser que hoje calhe...

     Eu vou, por agora. Cá tinha a minha ideia de que Abril, tristezas mil, mas não há-de ser nada. Muita saúde, companheiros e companheiras e tenham um excelente 1º de Maio. Sejam felizes. Lutem pelo que acham justo, ainda que muitas vezes isso seja subjectivo e não em função dos outros. Somos egoístas, quer queiramos quer não...

     Fiquem bem... A gente vê-se por aí...

    

    



vadiado por homem de negro às 13:30
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Diz-me...

 

 

 

 

Diz-me

Porque tem de ser assim

Se esse maldito caminho

Algum dia terá fim…

 

Mas diz-me

Sem chorar, sem doer

Embora tudo o que doa

Nos ajude a crescer…

 

Diz-me então

Porque eu já não sei

Que fazer ao coração

E porque foi que te amei…

 

Diz-me, vá lá

Que mais te posso dar

Possuíste o meu corpo

Ensinaste-me a amar…

 

Diz-me, peço-te

Que hei-de fazer agora

A alma cheia de nada

E o tudo que foi embora…

homem de negro

poemas vadios

 



vadiado por homem de negro às 00:01
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Terça-feira, 29 de Abril de 2008
Voltaremos amanhã...

 

 

     Deixo que o olhar se alongue pelo areal, as poucas pessoas que vieram já cederam o lugar às gaivotas. É a hora das gaivotas, como cantaria mestre Tim, aquela hora mágica em que o sol se vai deitando, altura em que mais gosto de estar na praia. Eu e o puto esperamos pacientemente na esplanada, de volta de um geladito e de uma cerveja, que o sol se vá para depois desatarmos a fotografar...

     E assim é, a tarde de Sábado, feita de brincadeiras no areal e das muitas vezes que fomos ao mar, encanto de quem por agora começa a conviver com este "amigo do pai" e a adorar o convívio, vai chegando ao fim. Precisava, hoje, de estar, aqui estou então para te ver, para te sentir, para me confessar nem que seja interiormente...

     O sol vai dormir no horizonte, as nuvens acabam por tirar alguma da beleza que gostamos de ver mas não faz mal, sabemos que ele está lá e nós estaremos sempre por aqui. As gaivotas sobrevoam os tons dourados do mar, tomando conta daquilo que é seu, a praia já só tem uma pessoa que passeia na beirinha do mar, talvez alguém que também precisou de se confessar...

     Troco a roupa do miúdo, roupa limpa e perfumada, sem areia e enxuta. Procuramos um restaurante para jantar, já é tarde e sabe bem comer depois de tanto mar. Condescendo, afinal é fim de semana e ele tem-se portado tão bem, seja então hambúrguer e batatas fritas, cherne grelhado para o pai, duas postas a parecer bem e muita salada para os dois.

     Vai alternando entre o hambúrguer e o meu peixe, diz que é "bué da bom", come muito bem este sacana, especialmente quando lhe cheira. Acho que somos todos assim, pequenos ou grandes, para rematar uma mousse mista, ele come o preto, eu como o branco, e um cafezinho...

     Rumamos a casa, estou bem. O fim de semana foi muito difícil, afinal a vida vai-me pregando partidas, mas o meu filho ajuda-me sempre a equilibrar as coisas. Vamos conversando e rindo da tarde de mar e das coisitas dele. Os tons dourados ficam para trás, menos o tom bronzeado que trazemos na pele...

     Voltamos amanha...

 



vadiado por homem de negro às 13:30
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Perdido em mim...

 

 

 

 

Porque falas de nós

Chorando baixinho?

Se o teu coração abalou

Já seguiu outro caminho…

 

Porque queres saber

Aquilo que vai em mim?

Se nós dois já não somos

Dessa estrada o fim…

 

Porque olho para trás

Em noites sem fim?

Sonhei apenas o impossível

Que será feito de mim…

 

Arrumo tudo novamente

Guardo o que não vivi

Um dia, talvez, quem sabe

Eu volte a saber de ti…

 

Um coração de pedra

Alto, intransponível muro

Mas quando penso em nós

Em tempos senti-me seguro…

 

Há que seguir só então

Foi sempre esse o caminho

Fugir da minha solidão

Mas acabar sempre sozinho…

homem de negro

poemas vadios



vadiado por homem de negro às 00:30
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
Ama-me apenas...

 

 

A intensa luz da manhã reflectia-se no doce murmurar do rio, aqui e ali cruzado pelos muitos patos que têm ali a sua casa ou por uma ou outra canoa da rapaziada que faz do lençol de água campo de treinos. A esplanada, vazia aquela hora, permitiu-lhes um café em sossego, com todo o tempo do mundo para se olharem, para conversarem, para tudo voltar a ser como foi de outras vezes…

Um passeio pela ponte serviu para continuarem a colocar a conversa em dia. Ainda que sem se tocarem, os olhos de ambos continuaram a dardejar o que lhes ia na alma, aquele sentimento que se reacende de cada vez que partilham as suas vidas. Ele mostrou-lhe os locais encantadores que lhe enchem o olhar, que tantas vezes são o seu mundo, aquele rio mágico que o ajuda, isso também, a percorrer parte da sua vida. A água, irresistível atracção, os peixes que se aproximam das margens na tentativa de receber pedacinhos de pão, as gaivotas que vão ao mesmo…

Levou-a então a uma tasca para almoçar, um dos locais que ele costuma frequentar, onde foram recebidos com uma enorme simpatia pelo casal que gere o local. Deu-lhe a provar um licor de produção caseira da casa, ela adorou o doce sabor que acende os sentidos, o almoço decorreu em amena cavaqueira com os outros frequentadores do pequeno restaurante. Depois, as ruas estreitas da parte baixa da cidade, permitiram-lhes tocarem-se, acarinharem-se, beijarem-se, desejarem-se…

O passeio pelo mundo dele não estava concluído, seguiu-se um mostrar de locais que fazem parte da história da cidade, monumentos imponentes, locais de culto, marcas da alma dele, ruas estreitas que mal permitiam a passagem do carro, parecendo que os prédios altos se fechavam sobre eles para os defenderem do mundo lá fora. De mão dada, ela aflita pela dimensão das pequenas ruas, ele confiante pelas muitas vezes que por lá tinha passado…

Todos aqueles momentos tiveram, no entanto, o condão de lhes despertar o imenso carinho que sentem um pelo outro, a paixão que sempre se dão quando estão juntos, a entrega que precisam para se amarem. Ele disse-lhe que queria fazer amor com ela, ela respondeu que a levasse para onde lhe apetecesse, saíram da cidade à procuram de um local onde pudessem ser um só como aconteceu de outras vezes, ainda que poucas mas que valem pela vida toda…

O destino foi um local a cheirar a antigo, um recanto de amantes, com luzes quase apagadas, de cor avermelhada, espelhos no tecto e cama redonda. Despiram-se mutuamente, sempre se olhando, ele beijando levemente o corpo dela, ela acariciando-o, deixaram que o amor que os consumia se transformasse em prazer, ela mais ousada, ele mais na expectativa. Os seios dela, bonitos, o corpo esbelto que ele adorava mimar, a tesão que os fazia explodir em orgasmos intensos, o verem-se a fazer amor nos espelhos, o carinho dela ao deitar-se no ombro dele enquanto ele lhe acariciava o cabelo…

Ela falou-lhe no olhar dele, que lhe parecia mais intenso, mais penetrante, e no facto de ele ter permitido que ela conhecesse parte do seu mundo simples, fazendo-a sentir-se mais dele. Ele amou-a por tudo o que ela lhe dava, pelo carinho, pelo companheirismo, pela paixão, por fazer dele um homem realizado e feliz, ainda que em pequenos períodos de tempo. Confessou-lhe que idealizava a vida ao lado dela, que um dia gostaria que ela fosse a mulher dele e que pudessem ficar juntos para sempre, embora sabendo que era apenas um sonho porque não dependia dele…

O tempo corre depressa demais quando se é feliz, nesse dia o tempo passou assim, rapidamente, deixando para trás um sentimento de nostalgia por tudo o que ainda não viveram nem sabem se viverão algum dia. Ele acompanhou-a até ao carro dela e ficou a vê-la perder-se por entre o trânsito infernal de um fim de tarde qualquer na cidade, com ela foi novamente um pedaço da vida dele pois tanto a deseja, tanto a quer, mas sabe que nunca terá a felicidade de viver a vida seu lado. O coração dele é feliz nestes dias mas acaba sempre por ficar cheio de nada, apenas de tristeza da partida, da dor da ausência, do sonho que gostaria tanto de ver realizado…



vadiado por homem de negro às 07:00
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
25 de Abril de 1974...

 

 

 

 

 

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
O vento cala a desgraça
O vento nada me diz.

 


Mas há sempre uma candeia
Dentro da própria desgraça
Há sempre alguém que semeia
Canções no vento que passa.



Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não.

 

 

 

 



vadiado por homem de negro às 00:01
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Terça-feira, 22 de Abril de 2008
Tudo o que tu és...

 

 

     Esperava com alguma ansiedade para ver como viria o meu menino depois da pega com a mãe dele e depois de vários dias sem o ver. Mas tudo o que era, continua a ser, simultaneamente meigo e refilão, fui buscá-lo à escolinha, fomos jogar à bola para o parque, conversámos sobre o que tinha acontecido entre eu e mãe e ele parecia um adulto a falar sobre a questão...

     Depois, jantar uma pratada de batatas com bacalhau cozinhado pela avó na patusca, duas peras e cafezinho, alguns desenhos para o dia de aniversário da mãe, fazer a reciclagem, ir à Palmira jogar setas, passar pelo Buraco para ver o bebé da "taberneira", banhinho, pijaminha, dormir...

     De manhã, uma surpresa muito, muito agradável, daquelas que me deixam muito satisfeito com ele e a enchê-lo de beijos e abraços. Pequeno almoço tomado, perguntei se gostava da roupa que ele ia levar, fui tomar banho e ele vestiu-se sozinho, de alto a baixo, sapatilhas e tudo. Fiquei mesmo derretido, está um homem este meu meninito...

     Hoje, estou feliz. A gente vê-se por aí...



vadiado por homem de negro às 10:59
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Desnorte...

 

 

 

 

Existem situações na nossa vida que não sabemos como ultrapassar ou então o tempo de que dispomos não chega para tudo o que é necessário fazer. Como tal, uma gestão equilibrada do tempo entre nós dois costuma resultar em coisas interessantes, em dias vividos à medida do crescimento saudável de alguém que, no fundo, não tem culpa nenhuma dos pais que lhe calharam. É por isso que eu tento sempre criar um conjunto de normas que regulem a nossa relação, de forma que, se ambos cumprirmos, é fácil levar isto avante.

 

O respeito pela mãe é um deles, apesar de tudo não permito ao puto que seja indelicado com a mãe ou mal-educado, sob pena de apanhar algum sopapo nas orelhas que é para a próxima pensar duas vezes. O azar é que eu chego à conclusão que, se calhar, um destes dias vou ver o meu filho a não querer vir para minha casa, tal é a ausência de regras que lhe noto quando chega a minha semana. O “não” é a resposta mais pronta, “não faço”, “não quero”, “não vou”. “Não?”, pergunto eu com maus modos e já de dente afiado para ver o que se segue…

 

Não percebo, honestamente, qual é a dificuldade em impor regras a um puto de 6 anos. Não quer pão com manteiga ao pequeno-almoço porque a mãe deixa-o comer bolachas, não quer comer a sopa porque em casa da mãe não a come, não calça sapatos porque a mãe não obriga e deixa-o andar sempre, para não se impor, com as mesmas sapatilhas até o gajo cheirar a morto a dois metros. No meio disto tudo, parece-me que eu é que sou o mau e qualquer dia deixo de ter filho porque ele vai preferir ficar ao pé da mãe. Já fiquei sem ele este fim-de-semana, deu para reflectir acerca desta falta de valores e de regras e da razão porque não o tive e ele ficou em casa de outra pessoa qualquer. Se calhar sou eu que estou errado…

 

Todos os fins-de-semana, ele fica comigo, na minha semana e na semana da mãe, isto porque ela trabalha num restaurante às sextas e sábados à noite e, como tal, precisa de alguém que fique com o filho. Como eu gosto muito da companhia dele, lá vai ele para minha casa e toca a engendrar cenas para fazermos os dois juntos. De cada vez que ela telefona, obrigo-o a falar com a mãe porque não é para saber de mim que ela liga, como é óbvio, entendo que deve existir respeito pelas figuras que lhe deram o ser e, acima de tudo, carinho por quem faz dele razão de viver…

 

Chego até, na minha semana, a passar por casa da mãe para que ela lhe dê um beijo e um abraço, para que as semanas não sejam estanques de pai ou mãe, porque continuo a achar que ele precisa dos dois para crescer. Mas noto, que quando sou eu a passar para recolher um abraço e um beijo, ela já não lhe impõe esse respeito pelo qual eu luto, chegou a dizer-me que é “melhor não passares” porque ele fica aborrecido. Respondi torto que lhe falta muito para saber o que é dar educação a um filho e o que é ensinar-lhe a ter respeito pelos pais…

 

Quinta-feira, chovia torrencialmente, lá fui eu para a cada vez mais difícil recolha do meu beijo e do meu abraço, ela viu-me da varanda e chamou o filho para me dizer adeus lá de cima. Porra, não foi para isso que eu fui lá, queria o meu filho cá em baixo. Ele não quis vir, ela não o obrigou, eu insisti, ela respondeu que não ia agora obrigar o “menino a descer as escadas com o tempo que estava”. Se levarmos em conta que o prédio tem um enorme hall e que ele já tem vindo de outras vezes de chinelo de quarto…

 

Fiquei mesmo fodido, é o termo, eu nunca seria capaz de permitir ao meu filho que fizesse isto com a mãe, nunca o deixaria ter esta desconsideração para com ela, no entanto ela não quis saber, ele não quer, ela não obriga, é desagradável, eu sei, esta imposição, mas é necessário que ele saiba que existem regras. Como tal, acabei por ficar sem o miúdo no fim-de-semana porque me recusei a ficar com ele, o que deu origem à tradicional chantagem que ela faz usando o meu filho e o “estás a prejudicar o teu filho”. A prejudicar o meu filho quando ele fica a maior parte do mês comigo? Deu-me vontade de a mandar para um determinado sítio…

 

No fundo, depois arrependi-me, porque ele está sempre melhor ao pé de mim do que deixado em casa de alguma das amigas dela, janta a horas, brinca, toma banho, bebe o leite e vai para a caminha a horas certas, se for despejado em qualquer lado acaba por chegar a casa só depois da meia-noite. E se eu tiver trabalho e não estiver, pode ficar com os avós, que muitas saudades dele tiveram este fim-de-semana. E eu também, é certo, senti a falta dele e das suas traquinices, enche-me a casa de luz. E de parvoíces também, mas contam mais os sorrisos e a alegria. Acho que sou mesmo um cromo sem remédio e esta gaja vai safar-se sempre…

 

 

 



vadiado por homem de negro às 00:30
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008
Porquê?

 

 

Voa para longe minha dor

Leva esta lágrima

Dá de beber a este sentir...

Eu quero apenas um sorriso

Um olhar que me encanta...

Uma mão que me acaricia...

Um olhar que me beija

Um ser que está ali...

O vento que me sopra murmúrios...

O sol que me acaricia a pele

Nós dois, à beira do mar...

De mãos dadas, felizes?

A chuva que embala

Um coração que já não bate

Não ama, não sente, não dói ...

Busco-te em devaneios de loucura

Que só a minha mente conhece

Hoje, amanhã, sempre

Morro um bocadinho, todos os dias

Porquê?

 



vadiado por homem de negro às 04:00
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008
Imagens vadias...

 

 

 

     Não é fácil falar de sentimentos. Nunca é. Das coisas que nos doem e que nos atiram abaixo, das lágrimas que choramos, dos dias mais difíceis da nossa vida. E se por alguma razão encontramos uma alma com quem nos conseguimos abrir, primeiro é preciso muito "roçar mato". Isto porque somos naturalmente desconfiados, provavelmente será uma desconfiança legitima motivada pelas nossas experiências pessoais...

     É por isso que muitas vezes as minhas imagens são o meu refúgio. Vou por aí de máquina em punho, à procura das "coisas lindas" que por aí há, muitas vezes sozinho, algumas vezes mais o meu meninito porque me parece que, por exemplo, o pôr-do-sol é mais bonito se for partilhado...

     E não tenho grandes presunções fotográficas. Gosto de fotografia, só isso, já tenho feito algumas imagens excelentes como já tenho feito imagens mesmo reles. Não interessa, o mais importante é o registo, o sentir, o viver, o experimentar, o correr, o deixar voar a mente...

     Porque a vida do homem é feita de momentos que é necessário, de alguma forma, guardar para mais tarde poder voltar a viver. Quem sabe onde nos levam os caminhos do mundo?

     A gente vê-se por aí...

 



vadiado por homem de negro às 12:22
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2008
10 de Abril de 1999...

    

     Levantei-me cedo, tomei banho, barbeei-me, pus-me bem cheiroso e de cabelo bem penteado. Afinal, aos trinta anos ainda estava com muito bom aspecto e aquele era o meu grande dia, pelo que tinha que estar bem apresentado. Vesti o meu fato novo azul-escuro, de marca de Arganil a cheirar a italiano, que me custou os olhos da cara, e preparei-me para receber os meus amigos e família...


    Chegaram, entretanto, os homens da foto e vídeo, amigos de longa data, que contribuíram para que o ambiente ainda fosse mais descontraído. Mais um retrato, mais um beijo, mais um abraço, são horas de ir andando até ao local do pequeno almoço, com um carinho de meia dúzia de caçoilas de chanfana e broa para uns irredutíveis apreciadores que de longe vieram. A minha mãe quase chorou, o meu pai lá seguiu imperturbável, avisado que estava para não ter relações profundas com o álcool...


    Cumprido o ritual do pequeno almoço e da recepção aos convidados, lá seguimos no Ford branco do meu padrinho até à igreja da Sé Nova, Coimbra, para continuar o dia. Confesso que, nesta altura, o nervoso que começava a dar um nó no estômago, percorria as escadas da igreja com um sorriso nos lábios, recebia mil carinhos e abraços, mas é facto que realmente estava um tanto ou quanto nervoso...


    Chegada a hora, lá fui de braço dado com a minha mãe em direcção ao altar enquanto o homem do órgão dava umas dedilhadelas e tocava uma música qualquer. Cá fora, preparava-se para chegar a minha noiva, a mulher que me converteu a este "clube dos homens casados", pela música que se ouvia ela estava mesmo ali. Olhei para trás, a marcha nupcial enchia a igreja, em contraluz pareceu-me um anjo vestido de branco que ali entrava de braço dado com o meu pai, que se tinha prontificado a levá-la ao altar...


    Nesta altura, as lágrimas vieram-me aos olhos. Cumpria-se um sonho, casar-me aos trinta anos, ser o marido de uma mulher muito trabalhadora e companheira, esgalhada como eu, boazuda, tudo o que um homem simples como eu sempre quis ter. A vida assumia agora uma nova fase, a partir daqui teria que ser sempre a pensar nos dois, trabalhar, lutar, crescer, sermos um só...


    Creio que lhe dei um abraço quando ela chegou ao pé de mim, linda, olhos brilhantes, muito bem maquilhada e penteada, com aquele vestido enorme e véu, cumprindo todos os preceitos de noiva, equipada a rigor para o dia em questão. Fizemos os nossos votos com o padre Sertório, lembro-me que ela trocou a ordem do meu nome, mas recordo-me também que a olhei nos olhos e disse o sim mais convincente e mais importante da minha vida. Como disse o padre, agora éramos um só...


    Depois das assinaturas, o arroz e as flores, mais abraços e beijos, um bonito dia de sol a ajudar à nossa festa, a foto de família nas escadarias da igreja, lá fomos os dois para a Via Latina fazer algumas fotos sozinhos junto à cabra. A seguir fomos até ao parque da cidade para as tradicionais fotos com os convidados e família e mais algumas de nós dois a meias com o Rio Mondego. Como me sentia feliz nesse dia, tão profundamente realizado...


    Feitas as fotos e o vídeo, ala para o almoço que se faz tarde, a fila do costume com toda a gente a buzinar, os noivos em último, a chegada ao local da boda, a recepção, ir receber as flores lá ao meu bairro, o almoço de quatro pratos e vinho à fartazana, isto recomendado especialmente ao amigo que servia o casamento, que não deixasse faltar o vinho porque o pessoal da comida não falaria, mas do vinho era outra história. Brancos, tintos, o espumoso com o leitão, as bebidas doces, um bolo de noivos enorme, daqueles fatelas com escadinhas e cataratas iluminadas, encimada por um casal de noivos...


    Primeiro a valsa, dançada de forma improvisada, depois toda gente a dançar, a um canto a banda dava-lhe forte e feio com "chupa, chupa, chupa no dedo" e a bailação animou, até às tantas, com a mesa de queijos, que na altura ainda não se via muito essa história do pôr-do-sol ou buffet, a fazer um sucesso enorme e o vinho sempre a correr. Grandes bebedeiras de lá saíram, eu não e a minha mulher também não, mas vontade não nos faltou. Ah, e o meu pai também não...


    Encerrada a festa, foi tempo de guardar o resto das comidas, eu abafei uma caixa de camarão e guardei-a no velho Corsa que nos ia levar, cheio de latas agarradas ao pára-choques. Despedidas, aí vamos nós para o apartamento que nos tinha servido de refúgio durante os anos em que vivemos juntos, pelo caminho os carros e camiões apitavam-nos a desejarem-nos felicidades...


    Chegados a casa, cansadíssimos e pelo menos eu com alguma fome, foi tempo de tirar as fatiotas, ajudei-a tirar os ganchos do cabelo e a desapertar o vestido, foi o diabo, fizemos amor meio vestidos e meio despidos, uma e outra vez, ela não queria parar e eu não conseguia desistir. Ela adormeceu, levantei-me, fui para sala, abri uma cervejinha, fui buscar a caixa do camarão e acabei a noite a recordar o maravilhoso dia que tivemos e a nova vida que nos esperava lá fora...

 

 



 

    Passaram 9 anos e já tudo acabou, mas estas recordações continuam vivas na minha mente e no meu coração. Não trago hoje este texto por me sentir triste ou algo do género, sei que a maior parte da dor já foi embora. É, no entanto, um excelente registo desse que foi um dos dias mais felizes da minha vida, como poderia alguma vez renegá-lo?

     É que eu sou dos que considera que se todos os dias nos lembrarmos daquilo que nos dói, um dia essas recordações terão apenas o suave perfume da memória...

     A gente vê-se por aí...

 



vadiado por homem de negro às 08:30
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
Campiões...

 

 

     Manda o meu fair-play, que muito me orgulho de ter, que daqui da zona centro envie os parabéns pela vitória do Futebol Clube do Porto no campeonato deste ano a todos os seus simpatizantes, adeptos e sócios. Foi limpinha e sem espinhas, para não variar, já tenho alguma dificuldade em explicar ao meu filho porque é que ele só tem 6 anos e o Porto já foi campeão 5 vezes...

     De facto, ele já começa a querer ir para onde não deve, eu posso sempre dar-lhe umas galhetas para o levar a caminho, mas pode ser que este ano a coisa melhore.Parabéns, tripeiros duma figa e dum raio que os parta. Menos tu Cristal, que és a minha campiona murcona favorita...

     Ok, eu tenho fair-play mas nada me impede de ser um bocado sacana, não é? Assim sendo, tomem lá com esta foto que eu saquei da net, uma imagem dos festejos dos novos campeões nacionais. É uma vergonha, será que era preciso um empurrão destes para chegarem lá? E o ar do outro jogador não é ciume?

     Parabéns outra vez... A gente vê-se por aí...



vadiado por homem de negro às 18:31
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Sábado, 5 de Abril de 2008
Abril, tristezas mil...

 

 

     Venho por cá, uma vez mais, para traçar algumas palavras escritas nesta imensa saudade de ti que trago no coração, neste altar que te fiz na minha memória. O tempo, esse supremo mestre da minha vida, tudo se encarrega de cuidar, de fazer desvanecer, de tirar à dor o muito que ela dói, deixando apenas esta dorida e cansada mente recheada de recordações….

     Por esta altura, estarias a nascer, rechonchudinha, com 3,340 kg, um primeiro choro, uma alegria mais para uma mãe para quem os filhos foram sempre a melhor companhia, uma vitória mais para quem tanto lutou para poder ter filhos. Depois, 20 anos de vida, muitas preocupações, muitas alegrias, muita tristeza e sofrimento, muito “gostar de cá andar”, muito cuidar, a escola, o ir para a cidade estudar, todas e tantas coisas boas que a vida nos deu…

     Sabes, a verdade é que a vida encarrega-se das piores partidas, de nos dar o que, achamos nós, menos merecemos. Trata de nos por à prova, todos os dias, mas nalguns dias mais do que em outros. Se a vida não nos tivesse oferecido esta maldade, hoje seria o dia do teu nascimento, 37 anos depois daquela noite que encheu de luz o coração da nossa mãe, numa madrugada fria de Abril, que o tempo não andava esquisito como agora…

      Sabes, irmãzita, quando o meu casamento acabou e eu passei noites inteiras sem dormir, agarrado ao meu sofrimento, à minha dor, à loucura de querer morrer e tendo por companheiros apenas um cigarro e as minhas lágrimas, acabei por ficar com uma cara de desenterrado, à beira de uma depressão. Fui à médica com a mãe e ela disse-me que eu estava com má cara, contei-lhe o que se estava a passar e ela ofereceu-me comprimidos para eu poder descansar. Recusei, disse-lhe apenas: “Sobrevivi à morte da minha irmã, doutora, hei-de também sobreviver a isto”…

     E a verdade é que eu considero isso mesmo, irmãzita, sou um sobrevivente, naqueles dias difíceis quando fui levar à mãe tão triste notícia é que deu para perceber o quanto a tua partida foi injusta, o quanto dói ver partir um filho. No entanto, nem sempre as coisas são como deveriam ser, de facto são tantas as mortes que cruzam a minha vida, tem sido tanto o sofrimento que acho que tenho mesmo de ser forte para voltar, sempre, a ir em frente. E tantas vezes me aproximei do abismo, tantas vezes teria sido tão fácil apenas deixar-me ir simplesmente para não chorar mais, para nunca mais doer… Mas a vida é por demais bonita para desistir e acho que estiveste sempre por aí a velar por mim…

     Amanhã passo por lá, pelo alto do monte, para te levar uma vela, acho que a mãe tem lá uns cravos vermelhos, mostrou-me de manhã umas flores azuis e amarelas lindíssimas e disse-me que são para ti, a ver se levo o teu sobrinho comigo para que vejas como está crescido. Não seria necessário porque aí onde estás já te deves ter dado conta disso, no entanto apesar dos seus tenros seis aninhos, já tem uma ideia acerca das pessoas que “partem para o céu”. Sabes bem, tem sido o meu farol, a bússola que tem orientado os meus dias apesar do desnorte que tantas vezes toma conta de mim…

     Simplesmente porque depois de tantas vezes ter ficado a perder, acho que já não sei como amar, aquilo que me sai naturalmente em relação ao meu filho, não existe no que diz respeito aos meus relacionamentos com mulheres, como se já não soubesse gostar, como se já não conseguisse sentir. E isto dói-me porque tenho encontrado pessoas maravilhosas, as quais acabo por magoar porque não consigo dar aquilo que me dão a mim, porque acabo por preferir sempre a minha solidão ou a companhia do meu filho para as minhas vadiagens, porque acho já não sei quem sou…

     Fico por aqui, minha querida irmãzita, não me lembro de quais eram as tuas flores preferidas, mas deixo-te aqui uma das rosas que a mãe costuma criar no jardim dela. Havias de ver as guerras entre ela e o neto por cauda da bola que salta para cima das flores e o quanto ele é meiguinho para ela depois. Provavelmente vês, não é?...

 

      Um beijo do teu irmão que nunca te esquece…

 

 



vadiado por homem de negro às 16:55
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