Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Sexta-feira, 28 de Abril de 2006
25 de Abril sempre...

     Não tenho por hábito comemorar na rua a passagem do dia 25 de Abril, não sou desse  tipo de militantes que ainda por aí há (felizmente) que pegam na bandeira e no cravo vermelho e vão para a rua gritar "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais". Não quer isso dizer que eu não comungue desses ideais, antes pelo contrário, creio até que, da maneira que as coisas vão, precisamos de um novo 25 de Abril para acabar com esta corja que nos suga até ao tutano...

     Face a este facto, lá pensei em sair mais o meu meninito no dia 25 de Abril e ir dar uma voltinha, fomos até à praia da Murtinheira, Quiaios, para vermos o nosso amigo mar e simultaneamente procurar uma casita para irmos de férias no Verão, que a praia é agradável e a temperatura da água razoável. Arrancamos depois de almoço, os dois, levamos as toalhas, pelo sim, pelo não, e os brinquedos para "fazer castelos na areia", calções e sapatilhas, bonés, t-shirts, enfim, a tralha toda... Ah e uma câmara de vídeo para registar estes momentos...

     A praia estava quase vazia, exceptuando alguns passantes e um casal de namorados que estavam ele à pesca, ela ao sol. Assim que chegamos fomos apresentar cumprimentos ao nosso amigo mar, deixando-o molhar-nos os pés, o que não correu lá muito bem porque, quando dei por ela, já estava o meu filhote embrulhado numa onda, completamente molhado dos pés à cabeça, com frio e a chorar. Solução: meia duzia de paus espetados na areia para fazer de estendal e toca a brincar na areia, o meu meninito todo nu...

     A partir daí correu tudo muito bem, construímos castelos, fizemos aquela cena de atirar as pedras e elas saltitarem sobre a superfícies das águas, jogámos à bola, fomos ao banho (mal parecia eu ir à praia e não dar uns mergulhos), a maré estava a baixar pelo que se criou aquela zona húmida e sem ondas que é porreira para os miúdos brincarem. E, de quebra, ainda deu para dar uma corzita a este esbranquiçado que trouxe do Inverno...

     Quando saímos da praia fomos comer um geladão enorme, uma brutidade, e ver as casas, mas acho que o pessoal deve andar a pensar que a malta está cheia de dinheiro. Boas casas é certo, mas quatrocentos euros de renda por uma quinzena é obra, acho vou acabar por ir para o campismo e arrancar para o Alentejo ou Algarve, embora me assuste um bocado o ter de tomar conta sozinho de um puto irrequieto e com muita vida. Por outro lado, o campismo permitir-nos-á não estar sempre no mesmo local, podendo optar por fazer vadiagem de praia em praia, como tanto gosto, e como de certeza lhe vou ensinar a gostar...

     Em última análise, existirá sempre a casa da minha ex-mulher no Douro, que ela já me disse estar à minha disposição para ir passar férias com o nosso filho ou com quem quer que fosse. Embora me alicie a ideia, pois de facto tenho uma imensa paixão pelo Douro, fui por demais feliz naquela terra para simplesmente voltar e ter de enfrentar toda a gente de todas as perguntas. A "nossa" família, com quem tenho mantido contacto, deseja que eu volte e já me convidou diversas vezes para lá voltar porque têm saudades nossas, mas ainda é muito difícil...

   No regresso a casa fomos visitar a bebé de uma amiga e aproveitar para o meu filhote por a casa dela em estado de sítio, procurando brinquedos e inspeccionando tudo, lembrou-se inclusivamente do sítio onde ela guardava as bolachas de chocolate. Grande puto, grande companheiro, ainda fomos aos pasteis de Tentúgal para adoçar a boca aos avós, foi de facto um dia em cheio, tão em cheio que fomos para a cama antes das onze da noite e dormimos que nem uns anjinhos. Quando ele dorme bem, durmo eu bem...

     Vamos ver como isto corre, tenho andado mais ou menos e quase não tenho sentido tristeza ou nostalgia, apesar da discussão de segunda-feira, conseguimos continuar a falar o resto da semana e hoje até fomos tomar o pequeno almoço juntos. Também, o miúdo esteve quase três semanas seguidas comigo, pelo que entre jantar, andar de bicicleta, jogar à bola, desenhar, escrever (ensinei-o a escrever o nome da mãe e ela derreteu-se), ir ver os comboios, dar escorregadinhas e passear um pouco, o tempo mal chega para dormir, quanto mais para estar triste... 

     Eu chego lá. Equilibro a minha cabeça, os meus sentimentos, a minha dor, e chego lá. Levanto o rosto, olho em frente, vejo a vida aí e cada vez mais me apetece chegar lá. E lá é onde? Não faço a mínima ideia, mas sei que tenho de ter o carinho de uma mulher de um lado e o amor do meu filho do outro. E também sei que lá é quando eu já nada mais sentir em relação à maldade que esta mulher fez a minha vida, à nossa vida, a vida dos três...

     Desejo-vos um excelente fim-de-semana, eu por mim vou trabalhar na fotografia, amanhã a Bênção das Pastas do Politécnico, Domingo um baptizado, segunda-feira, se tudo correr bem, praia com os dois cromos, desta vez vou para sul para ver os preços das casas...

A gente vê-se por aí...

 



vadiado por homem de negro às 14:56
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Segunda-feira, 24 de Abril de 2006
Prioridades...

     Fui buscar o meu filho, esta é a minha semana, amanhã vamos passear os dois e vai ser um dia espectacular. No entanto, cada vez mais acho que a minha ex-mulher se tornou numa pessoa sem rumo pois faz anos amanhã e queria que eu fosse levar lá o menino para passar a tarde com ela. Até aqui nada de mais, não fora o facto de eu lhe dizer que podia levá-lo hoje à noite e assim passava o dia todo com ela, seria um bom dia de anos para os dois...

     Declinou logo que hoje à noite tem de ir sair com as amigas e com o namorado para "tomar café", ao que eu respondi que, assim sendo, "podia levar o menino a passear à noite", ele até ia gostar de sair com a mãe e com mais pessoas. Nem sequer tenho planos para hoje ou melhor, pensei em ir ao futebol ver o Académica - Braga, mas os meus planos estão sempre condicionados ao meu filho querer estar com o pai ou com a mãe, pelo que a presença dele é sempre bem-vinda.

     A resposta continuou a ser a mesma, que não queria ficar com ele à noite porque tinha de sair, o que me deixa realmente muito triste, para ela a vadiagem está sempre primeiro que o filho. Respondi-lhe que a semana passada, que era a dela, ele quis ir quase todos os dias para minha casa e eu aceitei, quero é que ele esteja onde se sente bem, faço da vida dele a minha vida, procuro fazê-lo o mais feliz possível, mas a resposta dela foi invariavelmente "esta é a tua semana, porque é que tenho de ficar com ele?"

     Não tem, efectivamente, mas, perante a frieza de uma resposta destas, fiquei de tal forma nervoso e com vontade de chorar que disse coisas que não devia ter dito, mas que não conseguir evitar dizer. Não entendo, a maior parte dos pais considera os filhos como o mais importante nas suas vidas, o meu filho é a pessoa mais importante da minha vida, ponho de parte tudo em função dele... Talvez seja eu que estou errado, não sei, mas face à separação e à tenra idade dele considero que é nosso dever protegê-lo sempre, no entanto para a mãe ir sair à noite, ir para a vadiagem, parece ser mais importante que estar com o filho e disso ela não abdica...

     Não faz mal, ele também disse logo que queria ir para minha casa, vamos estar os dois juntos, brincar, desenhar, escrever,  vamos dar uma voltinha de bicicleta como ele gosta, vai ver os avós, vamos ser felizes os dois... Se ainda continuo sozinho, deve-se à opção que tomei de estar com ele o mais possível para que ele não sinta tanto a separação dos pais, poderia ter já tentado estar com alguém, mas continuo a achar que ele é mais importante. Para ela infelizmente não é assim, menos de um mês depois de nos separarmos já tinha um namorado, agora já vivem juntos...

     Por alguma razão chego ao fim do mês e verifico que em 30 dias possíveis, ela está comigo normalmente cerca de 20. Este mês de Abril serão 23 dias...

     Precisava de escrever isto para não rebentar. Vou buscá-lo agora e vamos para casa, para a nossa casa... Um bom feriado companheiros, que o 25 de Abril seja efectivamente um dia de liberdade para todos, a gente vê-se por aí...



vadiado por homem de negro às 18:40
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Apontamentos...

     Para este início de semana, surgem-me algumas situações que quero aqui apontar, deixando à consideração de cada um a resposta. Ou não, se assim o entenderem...

     Creio que este terá sido um dos mais correctos campeonatos ganhos pelo Porto. Sem grandes polémicas, sem lances duvidosos, a melhor equipa, a equipa mais regular, o melhor futebol, o resultado certo. Parabéns à equipa do Porto e aos seus adeptos e que possam fazer uma grande carreira, igual a outras anteriores, na Liga dos Campeões. Já não lhes desejo o mesmo, como é óbvio, no próximo campeonato...

     Alberto João Jardim deseja festejar o 24 de Abril e não o 25, pelo que deu o dia de hoje como feriado e amanhã nem sequer vai haver comemorações do 25 de Abril. Não vale a pena tecer grandes considerações, mas foi o 25 de Abril que permitiu a este fascistazito de merda ter atitudes destas sob o olhar benévolo e enternecido de uma outra figurinha com tiques fascistoides e arrogância de sobra. Será que não podíamos aproveitar a visita do segundo à terra do primeiro e cortar as amarras?

     A Académica de Coimbra é o clube do meu coração. Tenho muita simpatia pelo Benfica, mas gosto sobremaneira da Briosa, como muita gente por esse país fora, que tem este emblema no coração. Hoje à noite jogamos contra o Braga e, se tudo correr bem, no fim do jogo ficaremos definitivamente na primeira divisão deste nosso futebolzinho de trazer por casa. Isto apesar de uma época em que os árbitros foram maus demais, preferindo eu acreditar que foram simplesmente incompetentes. O problema é que sempre para o mesmo lado parece mal...

     A gasolina continua a subir, encarecendo brutalmente a vida das pessoas, aumentando as dificuldades das famílias portuguesas, a braços com já sérios problemas económicos devido aos aumentos em catadupa. Mas em relação aos combustíveis sabemos, todos nós, que o preço reflecte em grande parte um conjunto de impostos que o governo recebe, pelo que quanto mais aumentarem, mais recebe o governo. Pergunto eu, que sou ingénuo, será que não era possível este governo autista e arrogante governar efectivamente à esquerda, baixando por exemplo os impostos que cobra sob os combustíveis, de forma a permitir algum alívio às famílias portuguesas?

     Numa destas campanhas encontrei a Helena Roseta que andava a distribuir propaganda politica do PS e que me ofereceu meia dúzia de papeis lá da comandita dela. Recusei e retorqui delicadamente: "desses não porque eu ainda sou de esquerda". Ela olhou-me, nem sequer respondeu, virou as costas e foi à vida dela...

     Por último, uma opinião pessoal. Eu acho que este governo precisava que nós fossemos como os franceses e saíssemos para a rua a defender-nos das maldades que nos querem fazer, mas o povo é manso e sereno e não reage. Até quando vamos aguentar esta situação insustentável sem nos revoltarmos, até quando vamos permitir que nos roubem em impostos para suportarem uma classe politica que não cumpre o seu dever, até quando vamos permitir que os sucessivos governos, PS e PSD, continuem a governar a favor do patronato e contra os trabalhadores?

     Até quando, meus senhores?



vadiado por homem de negro às 10:56
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Sexta-feira, 21 de Abril de 2006
Impressões...

     Embora sendo esta semana que passou a semana da mãe, a verdade é que o meu filho quis vir para minha casa todos os dias. Não porque goste mais de mim, mas simplesmente porque descobriu que a bicicleta que lhe dei pelo Natal serve para mais alguma coisa que cair...

     Assim sendo, todas as noites a seguir ao jantar lá vamos nós, ele de bicicleta, eu a pé atrás dele, andar por essas ruas fora, paramos no café para eu tomar um café e ele comer um chocolatinho, em seguida vamos ao parque para ele "dar uma escorregadinha". O regresso a casa é mais difícil porque ele está cansado, temos de parar pelo caminho para descansar e a última paragem é num banquinho de jardim, já perto de casa, onde ficamos um pouquinho a olhar para as estrelas, eu sentado, ele deitado com a cabeça apoiada nas minhas pernas...

     Pede-me "pai faz festas no caxaxo" e ali ficamos alguns minutos, a olhar o céu, a minha mão fazendo um "cafuné" (lembram-se?) na cabeça do meu meninito, os meus dedos percorrendo os seus cabelos. Sou feliz nesta altura, sou muito feliz, a melhor parte da minha vida quase se resume a estes pequenos momentos em que damos tanto de nós um ao outro. Meu filho, meu amor , amo-te tanto...

     Depois, "é tarde filho, temos de ir andando, tomar um banhinho e nanar". Subir aquela ladeira onde os vi partir aos dois traz-me outras recordações à memória, a mesma ladeira onde me sento, tarde na noite, fumando um cigarro, à espera que o sono venha. Como se, de alguma forma, o tempo pudesse voltar para trás, como se eles pudessem voltar a subir a ladeira no meu velho Corsa, como se todas as dores desaparecessem...

     Está-me a bater a nostalgia, talvez porque este fim de semana o meu meninito não vai estar comigo. Depois do fim de semana passado, em que fomos almoçar no Domingo a casa de família, o que me fez um bem imenso, e em que ele se fartou de brincar com uma afilhadita de oito anos que tenho, e depois destes dias a correr atrás da bicicleta dele, é normal que me sinta mais só, o que nem por isso significa que me deixe ir abaixo...

     Para já, amanhã à tarde ele passa por lá para a mãe ir trabalhar. Ou, com um bocado de sorte, ele hoje há noite vai bater o pé para ir comigo, por causa da bicicleta, o que me vai deixar extremamente aborrecido!!! Mas, caso assim não seja, vamos arranjar coisas para fazer, limpar a casa por exemplo, ler, ver as séries da fox, ir ao baile (sabem o que isto é?), curtir a bicla serra abaixo (ao melhor estilo do camarada alentejano, mas claramente sem metade da pinta), ir ao cinema (parece-me que anda aí uma amiguita com comichões) ver o sugestivo Instinto Fatal!!!...

     Seja como for, estou cá, penso que estou bem, a minha Briosa e o meu Benfica excederam-se na semana passada, há sol lá fora, andei na rua há pouco e senti-o no na cara, o vento no cabelo, sinto-me bem... Ou então é do vinho com que acompanhei os carapaus assados com molho à espanhola...

     Um bom fim de semana, minha gente, com um carinho muito especial para todos os que por aqui passam. Esta semana, graças ao chat do sapo, arranjei mais uma data de visitantes que se tornarão, com o tempo assim o espero, bons amigos cibernéticos, ou até mesmo outro tipo de amigos. Quem sabe...

     Uma última achega, o texto que abafei no Blog do Alentejano está a fazer um grande sucesso, creio que já foi levado do meu blog por outras pessoas. Apresento os meus cumprimentos ao alentejano pela sua prosa, que nos trouxe muitas recordações, não é?

     Fiquem bem, já sabem, a gente vê-se por aí...



vadiado por homem de negro às 15:06
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Quarta-feira, 19 de Abril de 2006
Ah pois é...

 

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípio de 80 não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.

Não tínhamos frascos de medicamento com tampas "à prova de crianças" ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.

Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.
Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags - viajar à frente era um bónus.
Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem. Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.

Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.

Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.

Saímos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer. Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.

Não tínhamos Play Station , X Box. Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, Chat na Internet.

Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos à rua.

Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía! Caíamos das arvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal.

Havia lutas com punhos mas sem sermos processados.
Batíamos às portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.

Íamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não íamos a pé para a escola; não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem.

Criávamos jogos com paus e bolas.
Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem, eles estavam do lado da lei.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre. Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.

Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.

És um deles? Parabéns!

Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes dos advogados e governos regularem as nossas vidas, "para nosso bem". Para todos os outros que não têm idade suficiente pensei que gostassem de ler acerca de nós. Isto, meus amigos, é surpreendentemente medonho... e talvez ponha um sorriso nos vossos lábios:

A maioria dos estudantes que estão nas universidades hoje, nasceram em 1986...chamam-se jovens. Nunca ouviram "we are the world" e uptown girl conhecem de westlife e não Billy Joel. Nunca ouviram falar de Rick Astley, Banarama ou Belinda Carlisle. Para eles sempre houve uma Alemanha e um Vietname. A SIDA sempre existiu. Os CD's sempre existiram. O Michael Jackson sempre foi branco.

Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo fosse um dia deus da dança. Acreditam que Missão impossível e Anjos de Charlie são filmes do ano passado. Não conseguem imaginar a vida sem computadores. Não acreditam que houve televisão a preto e branco.

Agora vamos ver se estamos a ficar velhos:

1.. Entendes o que está escrito acima e sorris
2.. Precisas de dormir mais depois de uma noitada
3.. Os teus amigos estão casados ou a casar
4.. Surpreende-te ver crianças tão á vontade com computadores
5.. Abanas a cabeça ao ver adolescentes com telemóveis
6.. Lembras-te da Gabriela (a primeira vez)
7.. Encontras amigos e falas dos bons velhos tempos


SIM ESTÁS A FICAR VELHO!!

Encontrei este texto fabuloso no blog do nosso camarada alentejano, a quem deixo aqui a devida vénia e um pedido de desculpas pelo descaramento do gamanço. Há quem diga que copiar também é homenagear...

 



vadiado por homem de negro às 12:43
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Quinta-feira, 13 de Abril de 2006
Fim de semana prolongado...

    

     Caros companheiros

     Aprendi que esta é uma estrada interessante, em que se vão "conhecendo" todos os dias pessoas interessantes, outras menos, mas todas com algo para dar ou para levar.

     Aqui, somos uns para os outros de uma forma desinteressada, pelo menos no início, e todos procuramos com as nossas palavras dar algo de nós muitas vezes só pelo prazer de dar...

     O meu pequeno diário, em que falo de mim, dos meus sentimentos, das minhas lágrimas, das minhas dores é visitado por gente que não conheço de lado nenhum, mas que não se abstém de deixar um carinho. E provavelmente, alguns já gostaram de ler as minhas palavras nos seus momentos difíceis, tenho esperança que possa ter ajudado alguém, como eu já fui ajudado...

     O meu amiguinho vai estar comigo este fim de semana, significa isso, vocês sabem, que vai ser um excelente fim de semana. Estendo a todos vocês por aí a minha boa disposição e a minha vontade de ser feliz, envio o meu abraço e os meus votos de uma Boa Páscoa, pelo menos com muito carinho e amor, sem ligar às parvoíces da igreja católica, mais valia estarem calados...

     Como diria o meu padrinho deste mundo, esgalhem-se todos, saltem, berrem, gritem, chorem, cantem, riam, mas "façam-me o favor de serem felizes". Junto uma máxima minha "Sorri sempre..."

     Bom fim de semana, boa Páscoa ...

     A gente vê-se por aí...



vadiado por homem de negro às 20:11
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Segunda-feira, 10 de Abril de 2006
10 de Abril de 1999...

   

    Levantei-me cedo, tomei banho, barbeei-me, pus-me bem cheiroso e de cabelo bem penteado. Afinal, aos trinta anos ainda estava com muito bom aspecto e aquele era o meu grande dia, pelo que tinha que estar bem apresentado. Vesti o meu fato novo azul-escuro, de marca de Arganil a cheirar a italiano, que me custou os olhos da cara, e preparei-me para receber os meus amigos e família.


    Chegaram, entretanto, os homens da foto e vídeo, amigos de longa data, que contribuíram para que o ambiente ainda fosse mais descontraído. Mais um retrato, mais um beijo, mais um abraço, são horas de ir andando até ao local do pequeno almoço, com um carinho de meia dúzia de caçoilas de chanfana e broa para uns irredutíveis apreciadores que de longe vieram. A minha mãe quase chorou, o meu pai lá seguiu imperturbável, avisado que estava para não ter relações profundas com o álcool.


    Cumprido o ritual do pequeno almoço e da recepção aos convidados, lá seguimos no Ford branco do meu padrinho até à igreja da Sé Nova, Coimbra, para continuar o dia. Confesso que, nesta altura, o nervoso que começava a dar um nó no estômago, percorria as escadas da igreja com um sorriso nos lábios, recebia mil carinhos e abraços, mas é facto que realmente estava um tanto ou quanto nervoso.


    Chegada a hora, lá fui de braço dado com a minha mãe em direcção ao altar enquanto o homem do órgão dava umas dedilhadelas e tocava uma música qualquer. Cá fora, preparava-se para chegar a minha noiva, a mulher que me converteu a este "clube dos homens casados", pela música que se ouvia ela estava mesmo ali. Olhei para trás, a marcha nupcial enchia a igreja, em contraluz pareceu-me um anjo vestido de branco que alí entrava de braço dado com o meu pai, que se tinha prontificado a levá-la ao altar.


    Nesta altura, as lágrimas vieram-me aos olhos. Cumpria-se um sonho, casar-me aos trinta anos, ser o marido de uma mulher muito trabalhadora e companheira, esgalhada como eu, boazuda, tudo o que um homem simples como eu sempre quis ter. A vida assumia agora uma nova fase, a partir daqui teria que ser sempre a pensar nos dois, trabalhar, lutar, crescer, sermos um só.


    Creio que lhe dei um abraço quando ela chegou ao pé de mim, linda, olhos brilhantes, muito bem maquilhada e penteada, com aquele vestido enorme e véu, cumprindo todos os preceitos de noiva, equipada a rigor para o dia em questão. Fizemos os nossos votos com o padre Sertório, lembro-me que ela trocou a ordem do meu nome, mas recordo-me também que a olhei nos olhos e disse o sim mais convincente e mais importante da minha vida. Como disse o padre, agora éramos um só...


    Depois das assinaturas, o arroz e as flores, mais abraços e beijos, um bonito dia de sol a ajudar à nossa festa, a foto de família nas escadarias da igreja, lá fomos os dois para a Via Latina fazer algumas fotos sozinhos junto à cabra. A seguir fomos até ao parque da cidade para as tradicionais fotos com os convidados e família e mais algumas de nós dois a meias com o Rio Mondego. Como me sentia feliz nesse dia, tão profundamente realizado...


    Feitas as fotos e o vídeo, ala para o almoço que se faz tarde, a fila do costume com toda a gente a buzinar, os noivos em último, a chegada ao local da boda, a recepção, ir receber as flores lá ao meu bairro, o almoço de quatro pratos e vinho à fartazana, isto recomendado especialmente ao amigo que servia o casamento, que não deixasse faltar o vinho porque o pessoal da comida não falaria, mas do vinho era outra história. Brancos, tintos, o espumoso com o leitão, as bebidas doces, um bolo de noivos enorme, daqueles fatelas com escadinhas e cataratas iluminadas, encimada por um casal de noivos.


    Primeiro a valsa, dançada de forma improvisada, depois toda gente a dançar, a um canto a banda dava-lhe forte e feio com "chupa, chupa, chupa no dedo" e a bailação animou, até às tantas, com a mesa de queijos, que na altura ainda não se via muito essa história do pôr-do-sol ou buffet, a fazer um sucesso enorme e o vinho sempre a correr. Grandes bebedeiras de lá saíram, eu não e a minha mulher também não, mas vontade não nos faltou. Ah, e o meu pai também não...


    Encerrada a festa, foi tempo de guardar o resto das comidas, eu abafei uma caixa de camarão e guardei-a no velho Corsa que nos ia levar, cheio de latas agarradas ao pára-choques. Despedidas, aí vamos nós para o apartamento que nos tinha servido de refúgio durante os anos em que vivemos juntos, pelo caminho os carros e camiões apitavam-nos a desejarem-nos felicidades...


    Chegados a casa, cansadíssimos e pelo menos eu com alguma fome, foi tempo de tirar as fatiotas, ajudei-a tirar os ganchos do cabelo e a desapertar o vestido, foi o diabo, fizemos amor meio vestidos e meio despidos, uma e outra vez, ela não queria parar e eu não conseguia desistir. Ela adormeceu, levantei-me, fui para sala, abri uma cervejinha, fui buscar a caixa do camarão e acabei a noite a recordar o maravilhoso dia que tivemos e a nova vida que nos esperava lá fora...


    Passaram sete anos mas as recordações continuam vivas na minha mente e no meu coração...






 



vadiado por homem de negro às 09:45
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Sexta-feira, 7 de Abril de 2006
Fim de semana...

     Sem grande tempo para poder escrever, agradecendo as palavras que foram deixando no meu blog, lamentando que o nosso glorioso não tenha tido arcaboiço para ir em frente, deixo aqui o meu voto de bom fim de semana para todos vocês...



     Vou, no entanto, de fim de semana bastante preocupado com uma das nossas companheiras, a noitestrelada. De facto o seu último texto deixou-me preocupado e assustado, conheço e compreendo a razão do seu desespero, espero que tenha sido apenas o resultado de um dia mau...



     Às vezes, todos nós sabemos, o desespero quase nos vence...



     A gente vê-se por aí...




vadiado por homem de negro às 19:01
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Quarta-feira, 5 de Abril de 2006
Carta para minha irmã...

    

     Olá irmãzita, como estás?

 

     Nós por cá vamos andando, os nossos velhotes estão cada vez mais velhotes, com as mazelas próprias da rapaziada do tempo deles. São os ossos, os joelhos, as costas, enfim, coisas da idade com as quais vou ter que ir vivendo…

     Tenho andado para te escrever, mas as coisas têm andado meio complicadas e falta-me o ânimo para falar contigo. Como decerto saberás, o meu casamento acabou, aquela que escolhi para envelhecer a meu lado foi-se embora. Sabes, tenho sofrido muito nos últimos meses, nunca pensei que fosse possível sofrer tanto por causa da maluqueira de uma mulher que parece desesperadamente querer voltar a ser miúdita, desconhecendo que o tempo nunca volta para trás e é preciso saber envelhecer com dignidade.

     Tenho a consciência que falhei nalgumas coisas mas também sei que não falhei tanto que a levasse a dar este passo triste e a deixar-me para trás com o coração partido, a vertigem de uma vida de vadiagem levou-a a partir. Vou trilhando as ruas da amargura, empilhando dias em cima uns dos outros, procuro a chuva para me acarinhar mas nada parece fazer efeito. Ainda dói demais…

     Procuro por aí um outro alguém, mas o que resta no fim da noite é sempre a maldita solidão que me rói a alma e não me dá paz. É um maldito sentimento de frustração ver dez anos de vida atirados ao ar em troca de uma mão cheia da nada, resta-me ir amparando os meus dias e os dias dos nossos velhotes. Precisamos uns dos outros…

     No entanto, nem tudo são más notícias pois deste casamento falhado resultou o ser mais maravilhoso que alguma vez cruzou os meus dias. O meu meninito, o meu anjo da guarda, se estivesses entre nós irias adorar este teu sobrinho, cheio de vida, sempre a correr de um lado para o outro, louco pelos Xutos, esgalhado à boa maneira do pai…

     É por ele que tento reconstruir a minha vida, é ele que dá sentido aos meus dias. Como se fosse uma bússola que norteia o meu caminho, os dias doem menos quando ele está comigo, custam menos a passar, o meu pobre coração partido vai-se recompondo com os seus abraços e carinhos. Dizem-me por aí, quem nos vê a brincar, companheiros um do outro, que eu sou um super-pai na forma como quero criar o meu filho, mas sabes, acho que sou apenas um pai a procurar fazer o melhor que sei e sempre à procura de poder dar ao meu filho uma infância que não seja traumatizada pela separação dos pais.

     Ou por outra coisa qualquer, lembras-te seguramente dos nossos dias tristes motivados pelo alcoolismo do nosso velhote. Não mudou nada, continua a beber e a massacrar a mãe com a estupidez que lhe é tão natural, a única coisa que mudou é que ele está mais débil mas cada vez mais embrutecido, penso que tantos anos de álcool lhe devem ter afectado o cérebro. No entanto, é extremamente carinhoso com o neto, parece querer dar-lhe a ele todo o amor que nunca nos deu a nós…

     Se estivesses por cá farias hoje 35 anos, foi por isso que resolvi escrever-te, para lembrar um dos dias que nos traz mais tristeza, a mãe já anda por aí pelos cantos a suspirar. Quando te foste embora a vida perdeu todo o sentido para nós, o Natal desapareceu de casa, foi-se embora contigo, nesses dias tentávamos ser normais, abríamos uma garrafa e fingíamos estar bem. Depois, cada um procurava o seu cantinho para chorar, para tentar viver um pouco mais através das lágrimas.

     Dias maus, esses. Agora já é mais fácil, nunca te esquecemos mas aprendemos a viver com a tua ausência, com o facto de sabermos que, apesar de nunca mais voltares, estarás sempre por aí a velar por nós. E eu preciso muito que veles por mim, para que não deixe a dor vencer-me e perder-me por caminhos dos quais não há volta. Porque haverá sempre aquele meninito que já levei comigo a visitar-te, deves ter visto que ele é um reguila porreiraço e companheiro…

     Quando me sinto mais só, vou até lá acima ao cabeço, onde agora dormes, sento-me a teu lado, falo contigo, choro as minhas lágrimas, venho de lá mais leve. Não seria preciso dizer-te isto, já deves ter visto que de vez em quando lá apareço, levo-te flores, rego-as com as minhas lágrimas, as mesmas que agora caem enquanto te escrevo.

     Sabes, passados estes anos todos, ainda tenho tantas saudades tuas, ficaram tantas coisas por dizer, foi duro teres ido embora zangada comigo… Não, não tenho remorsos, sabes que não sou má pessoa e que tenho tentado sempre levar uma vida honesta e justa, mas nós dois às vezes éramos como o cão e o gato. No entanto, lembrar-te-ás certamente das alturas em que nos defendemos um ao outro contra a inconsciência do pai, pudesse eu ter-te defendido contra a traição que a vida te fez, pudesse eu ainda hoje defender-te contra tudo…

     Vai longa esta carta, irmãzita, turvam-se-me os olhos enquanto tento alinhavar estas letras de saudade. A vida vai andando, consegui ir para a Universidade e tirei o curso de jornalista que sempre quis ter, apesar de não exercer cumpri um dos meus sonhos, lembrar-te-ás da minha serenata de caloiro em que chorei enquanto o fado ecoava nas paredes da Sé Velha e te pedi ajuda para ir em frente.

     Chorava por outro amor, a minha vida parece ter sido feita apenas de amores perdidos mas também é verdade que tento sempre ir em frente. Não sou de desistir, apesar de começar a ficar cansado com as partidas que a vida me vai pregando, lá vou arrumando as recordações, colando os pedaços do meu coração, seguindo sempre de olhos postos no amanhã. Dias melhores virão…

     Pedi-te nessa altura que velasses por mim pois estava à beira do abismo, quase dei cabo da minha vida, quase acabei com a dor. Não aconteceu, agradeço-te. Peço-te agora, vela por mim para eu ter força para cuidar do meu meninito e dos nossos velhotes, nunca mais voltarei a chegar perto do abismo, nunca mais deixarei que a vida me destrua a tal ponto de desejar morrer…

     Fico por aqui, minha querida irmã, deixo-te um beijo de saudade, de muita saudade. Agora que já escrevi, já não choro, as minhas palavras têm o condão de libertar a dor que me vai na alma através das lágrimas, chorar para não morrer de dor, chorar para viver um dia mais…

 

Teu irmão que nunca te esquece...

 



vadiado por homem de negro às 10:02
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