Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Quarta-feira, 7 de Abril de 2010
De quem eu não verei jamais...

 

 

 
 
6/8/1932 - 7/4/2009
 
 
    Não sei que te dizer. Falo de coisas sem nexo, de vidas minhas, do quanto me dói chegar a casa e não ter o teu sorriso para acarinhar estes meus dias difíceis. No horizonte, o por-do-sol, lindo, mas nem mesmo ele me alegra a alma. Falo do meu menino e da forma como chora quando pega na tua fotografia. Como choramos abraçados, então, porque só sabemos arrancar a dor chorando...

     Deixo-me ficar sentado ao lado da campa, apenas eu no cemitério, que já estava fechado, pedi a chave ao Sr. Armando e para vir ver-te e falar contigo. Contigo e com a minha irmã, tenho tantas saudades de vocês, custou tanto viver este ano. Um ano. Um ano sem sentido, feito de vida perdida, de alma dorida, de querer simplesmente não sentir. Não sou diferente dos outros, mas cada um sabe da sua dor. E a mim dói-me tanto saber que há tantas coisas que não partilhamos, tanto carinho que não demos um ao outro...

    Poderia ter sido melhor filho, eu sei. Poderia ter sido melhor marido, talvez. Poderia ter sido mais amigo da minha irmã, de facto. Poderia ter sido melhor em muitas coisas, mas também poderia ter sido mais feliz. E não te ter perdido assim, com tantas coisas ainda para fazermos. Neste dia 5, aniversário da minha irmã, choraríamos juntos, já sei, confortaria a tua dor de mãe e a minha tristeza de irmão. Porque um pai não deve nunca enterrar um filho...

    Perdoa-me as lágrimas, mãe. Perdoa a minha dor e a minha saudade. Porque há dias que anseio ir ao teu encontro, há dias que me desesperam, que queria tanto não sofrer desta forma. Voltar a ter o teu colinho, o mesmo onde agora repousa a tua menina. Como te dizia por entre a as lágrimas há um ano atrás, "Já tens a tua menina ao colo". Que, dizem, um homem não chora. Como se enganam...

    Foi-se o sol, vou-me eu. Fazer o jantar para mim e para o velhote. Cá seguimos os dois. E nalguns dias com o nosso meninito. Fica a tua mortalha enfeitada a cravos vermelhos. Um dia mostrar-me-ás o teu jardim e os cravos que tanto gostavas...

     Um dia, haveremos todos de ver-nos por aí. Amo-te. Um beijo...

 

 

 

 



vadiado por homem de negro às 21:17
Ligação vadia | Vadia para mim

12 comentários:
De Ana a 8 de Maio de 2010 às 00:54
A minha mae contou-me que a tia custuma virar-se para o meu pai e dizer "oh carlos, voce tem uma cara tao bonitA" ... achei piada, apesar de nao travar muito tempo de conversas com a tia, é uma das pessoas que consigo imaginar a sua voz na perfeição...

são estas lembranças que dão vida, as pessoas só morrem verdadeiramente quando se apagam de memorias...

beijo grande*


De Célia Silva a 15 de Abril de 2010 às 16:37
Olá, já não espreitava o seu blog à mais de 2 anos, perdi o rumo dele, só agora voltando aos meus post antigos descobri um pequeno comentário e grande alegria voltar a encontrar este blog actualizado. Lamento a morte da sua mãe...e espero que encontre forças para encarar a ausência dela, mas acredito que o coração irá ajudar....Um forte abraço, eu vou espreitando....


De tu sabes.... a 14 de Abril de 2010 às 18:04
Se nunca foste um bom homem como querias ser um bom filho um bom marido ou bom irmao. Vais continuar a ser um amargurado que ninguem quer vais mesmo acabar sozinho nas ruas da amargura. Ca se fazem ca se pagam.


De homem de negro a 15 de Abril de 2010 às 21:24
Posso ser um ser amargurado, disso nem sequer me envergonho, como é bem patente na assunção dos meus erros nas minhas palavras, mas a verdade é que fui eu um dia que te virei as costas, te dei todo o desprezo do mundo e nunca mais quis nada contigo. Nesse dia sabia bem que daí para a frente teria sempre a tua sombra a rondar por aqui, a atacar tudo o que fosse mulher que se aproximasse de mim, a morder pela calada quem sempre foi melhor do que tu, me deu tanto de si sem muito exigir em troca. E que nunca me quis mal...
Ou pensavas que não publicaria este comentário com medo de ti? Achaste mesmo? Na verdade, não passas de uma pobre coitada, tão nova ainda e com a vida toda fodida pela tua pobre cabecinha desnorteada e pela mania que o mundo há-de girar sempre em volta de ti. Mas já deves ter descoberto que, de facto, não gira, e que nem todos estão disposto a aceitar as tuas tentativas frouxas e frustradas de controlar quem te rodeia...
Conhecendo-te como te conheço, quem parece mesmo amargurado e vai, provavelmente , acabar sozinha e abandonada até pelos que mais te amam, serás tu. Porque os filhos crescem e começam a conhecer-nos e depois é que são elas. E os teus saberão bem fazer a distinção entre quem os ama por amar e quem os ama porque precisa de preencher a frustração do vazio...
Destilas veneno contra quem não reza contigo, mas aqui estou eu a dizer que não rezo, que não prestas, que vales zero na minha vida e que o dia em que me afastei de ti foi dos mais acertados. Cresce de uma vez, põe juízo nessa cabeça, lembra-te que em teu redor há quem muito precise que tenhas tino e te comportes como uma mulher. E que te deixes de achar que a internet é um mundo a sério...
As melhoras. A sério, fica bem, segue o teu caminho e não percas tempo a atacar quem não tem medo de dizer que falhou tantas vezes ao longo da vida. Eu sei-o. E assumo isso. E tu?


De tu sabes.... a 18 de Abril de 2010 às 19:27
Os meus filhos nao foram chamados aqui e o mesmo poderei dizer do teu com um pai como tu. Foste tao bom marido que a tua ex te mandou talhar uma cornadura a medida. Estas a ser tao bom pai que um dia o teu filho te internara num lar.


De homem de negro a 18 de Abril de 2010 às 22:36
Quanto a cornaduras, se queres ir por aí, estamos conversados, foi igual à que ofereceste ao teu marido, sendo que a consequência imediata foi igual para ambas quando verificaram que tinham feito o maior erro das vossas vidas: toca a pedir perdão e mostrar (verdadeiro?) arrependimento para poderem voltar com o rabinho entre as pernas para a vida segura e confortável que tinham antes. No entanto, para mim há coisas que não têm volta, porque quem faz uma vez, fará muitas mais e, pelo menos em relação a mim, nunca poderei ser acusado de ter feito o mesmo. Tive outros defeitos, seguramente, mas em onze anos de vida conjunta foi a minha única mulher...
Quanto a filhos, como sabes estes não vêm com livro de instruções, vai-se aprendendo à medida que eles crescem e eu tenho bem a certeza do caminho seguro e estável que tenho dado ao meu. Mas era de amor que eu falava, daquele desinteressado e que vale por si próprio, o que curiosamente (ou talvez não) pareces não saber exactamente o que é, pois preferiste vir a terreiro com ofensas pessoais para disfarçar a pobreza que te vai nessa cabeça...
Internado? Tenho a certeza que tal não acontecerá pois a inteligência prevalece sobre tudo o resto, mais dia, menos dia. Mas se um dia chegar a essa fase logo se verá se o caminho pelo qual luto hoje foi o melhor ou não, cada coisa a seu tempo. Para já vejo bem no carinho e no amor que me retribui o quanto eu valho para ele, mesmo apesar da maldade que eu e a mãe lhe fizemos...
Finalizo aqui esta troca de argumentos porque, quer queiras, quer não, neste espaço cabe-me a mim a ultima palavra. Transpiras rancor, ódio, mas acima de tudo não consegues esconder a mágoa que sentes por não te deixar fazer parte da minha vida, em detrimento de outras pessoas, és demasiado obtusa para perceberes que o caminho que trilhas só te pode levar onde estás, a uma mulher frustrada e amargurada pela rejeição. Azarito, aqui não brincas mais, podes atacar como quiseres que não levas mais troco, nem megafone. Há pessoas mais importantes a quem dar a minha atenção...


De Ana a 8 de Maio de 2010 às 01:03
Primo, apaga esse paleio da treta... isto nao é a Caras nem a Maria..tipo, nao tem jeito nenhum, taz a dar asas a uma covardia sem fim... acho que devias apagar, vergonha é vir a um blog e falar destas coisas, pq é que nao falam na cara? enfim, a covardia e por vezes mais feia que o acto de roubar, é um titulo que pertence a ratos de esgoto e não a pessoas... que infelicidade ter gente tão analfabeta que se vê feliz com este tipo de escandalo, aposto que estivesse ao teu lado nem um "ui" sairia... NAO TENHO PACIENCIA...

apaga isso


beijo para ti, po tio e po crianço ;)


De GUI a 12 de Abril de 2010 às 17:38
MIGO DEIXO-TE UM GRANDE BEIJINHO
FORÇA O TEU MENINO PRECISA DE TI.
FICA BEM


De Helena a 8 de Abril de 2010 às 19:02
Conheço, infelizmente, essa dor e as saudades que crescem a uma velocidade doida. Limpe as lágrimas e recorde só os momentos bons, mais que não seja pelo seu menino, a sua Mãe, de certo, não o queria ver "em baixo".

Um abraço apertado

Helena


De Lobaaaaaaaaaaaaaaaaaaa a 8 de Abril de 2010 às 16:56
Olá tu aí,

Tens uma atitude positiva perante a morte. Pois há vida para além das paredes frias da campa. Porque há esperança num dia melhor. Porque há quem ainda precise dos teus sorrisos, abraços, beijos e muitos mimos. Porque há pessoas que são muito pessoas. Porque há um raio de sol que nos pertence.

E estou-te muito grata pelo carinho deixado ali atrás.

Aceita um beijo meigo e reconfortante,
Loba.


De Helena a 8 de Abril de 2010 às 15:31
Eu sei que dói e que as saudades crescem, mas a sua mãe, de certo, não o queria ver "em baixo".

Um abraço apertado.

Helena


De Genny a 8 de Abril de 2010 às 09:35
Por muita coisa que escreva aqui neste momento nada te pode aliviar essa dor e saudade. Choro contigo!
Um grande abraço!


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