Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Sábado, 13 de Março de 2010
Gente de nós...

 

 

"O meu pai era um homem fixe, não era?", disse-me, olhando-me, com as lágrimas a querer saltar dos olhos. Anui, enquanto a abraçava, as minhas lágrimas igualmente a saltar, acariciando-lhe o cabelo...

 

É verdade, caro primo, eras mesmo um fixe, um excelente pai, um bom marido, um homem trabalhador e sempre a lutar por mais, para poder dar aos teus filhos uma vida melhor do que aquela que tiveste de enfrentar. As serranias da Lousã sabem bem do que foi feita a tua luta...

Mas a vida traz-nos sempre estas surpresas más. Venceste parte da luta mas o fantasma voltou para te assombrar. Definitivamente. E amanhã regressarás à terra na terra que te viu nascer. Acompanhar-te-emos, ali no cimo do monte de onde só voltam os que trazem as lágrimas e a tristeza...

Vai em paz. Olharei pela minha afilhadita e ajudá-la-ei o quanto puder. Sabes que esta família até consegue ter dias bons. E amanhã juntamo-nos como sempre, umas vezes para casamentos, ultimamente apenas para funerais. E vão três, o tio Vergílio, a minha mãe, agora tu...

Sabes, deixa-me chorar, apenas, enquanto alinhavo estas letras com sabor a lagrimas. Dentro da minha dor e da lembrança do gajo porreiro que eras. Porque, eras mesmo um fixe, companheiro. Pois lembrar-me-ei sempre daqueles dias em que a mais velha não tinha estilo definido, ora era metálica, ora punk, ora beta, enfim, e eu a dar-te na cabeça para deixares andar que isso passa. Não soubesse eu... 

Vamos ter saudades de ti e do teu sorriso pronto, como dizem as tias, das tuas cores bonitas, da tua alegria, da tua bonomia e sorriremos sempre, tenho a certeza, quando nos lembrarmos. Porque sabemos bem que morreremos no dia em que deixarmos de rir...

Um abraço vadio, caro primo. Um dia havemos todos de nos ver por aí...



vadiado por homem de negro às 19:43
Ligação vadia | Vadia para mim

5 comentários:
De Ana a 29 de Março de 2010 às 23:34
Don't cry over my tomb
I’m not there , i'm not dead.

Olá primo...
Obrigada pelo texto, amei... vi-o na segunda, não sei o que tenho para dizer mas quero que saibas que gostei da homenagem. Ja queria ter comentado À mais tempo, mas as palavras não saem e o que quer que eu diga parece-me que nada vai melhorar nem me fazer sentir melhor.
É realmente a perda mais dolorosa que pode haver, guio-me um bocado pelas palavras de amigos que tambem perderam os pais e também pelos meus avós ("pai algum deveria ter de enterrar os filhos"). A dor é diferente em cada um de nós, a unica semelhança é talvez a sombra e a escuridão permanente e torturante que fica perdida pela casa, na mesa das refeiçoes, nas escadas para o meu quarto ou no banco do carro. Sou sincera, ganhei medo do mundo, de tudo o que está para la das paredes da minha casa, quero estar sozinha, não quero ouvir barulho e não quero ver pessoas. Não será assim para sempre eu sei, mas por agora é a maneira que eu tenho de me ir levantando aos poucos.

Prefiro pensar que o meu pai nao morreu, morreu fisicamente, mas ele está por aí, eu sei que está, mas isso não chega, isso não chega... enquanto isso todos nós temos de viver tambem "mais um bocado".

Depois de dura batalha, a perda é sem duvida revoltante.. Que todos morremos é um dado adquirido logo na primeira inspiraçao, mas ficam tantas coisas para fazer... o meu pai precisava talvez, de mais 100 anos...

"A esperança é a ultima a morrer", quanto a isto, so tenho a dizer: não me enganas mais!

Beijo para voces*


De homem de negro a 31 de Março de 2010 às 01:02
Olá...
Parte da nossa vida é feita de colar pedaços de nós e endireitar o pouco que fica quando a dor nos destrói o ser e a alma. As vivências da dor dizem, efectivamente, respeito a cada um de nós pois cada um enfrenta à sua maneira...
Pára agora, um pouquinho, num cantinho qualquer, no escuro talvez, de lágrimas no rosto ou apenas recordando. Levanta-te depois, limpa as lágrimas, arruma o teu coração, um passo mais, viver uns dias melhor, outros pior, mas ter a coragem de ir em frente. Porque atrás do tempo, tempo vem...
E sabes que mais? Se consegues escrever desta forma acerca do que te vai na alma, já começaste a fazer o caminho. Porque, não tenhas duvidas, todos nós podemos andar de roda de ti e falar, mas o caminho és tu que o trilhas, acima de tudo és tu que o começas. Porque é um lugar comum, mas o caminho faz-se caminhando...
Um beijo vadio, a gente vê-se por aí...


De Ana a 29 de Março de 2010 às 23:29
.


De imagensdaminhadimensao a 16 de Março de 2010 às 23:53
Olá amigo de negro é triste ver partir quem nós ama-mos,mas somente parte o corpo; pois a imagem no nosso coração e o amor por eles não morre ao deixare-nos ;as recordações dos seus carinhos ,dos sorrisos e do amor é «eterno».
A minha Avó partiu era eu muito gaiata,mas deixou-me o seu ideal de luta e alegria de viver;nos dias menos bons recordo-a e essa recordação transmite-me força para continuar lutando cada vez mais.....

Um beijo com muito carinho para uma miúda «especial».

Boa semana amigo a gente vê-se por aí..........


De Helena a 16 de Março de 2010 às 12:00
É sempre triste vermos partir e despedirmo-nos das pessoas de quem gostamos.

Sendo a única certeza que temos na vida - a morte - é a única e a mais difícil de entender.

Um abraço para a filha do "pai fixe", quase posso afirmar que é do que ela vai sentir mais falta: os abraços e a força dos afectos. Digo eu que também sou filha dum pai que era muito fixe.

Helena


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