Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Sábado, 10 de Outubro de 2009
Coração de menino...

- Avozinha…

 

- Avozinha…

 

É tempo de parar, eu sei. De encontrar uma borda de estrada onde sossegar a menina vadia e acalmar a tristeza que lhe salta dos olhos. Chora copiosamente, como já tem acontecido outras vezes. Faz-me, igualmente, chorar a mim, como, igualmente, tem acontecido tantas outras…

 

- Tenho tantas saudades da minha avozinha…

 

Eu sei, meu filho, eu sei, murmuro com a voz embargada pelas lágrimas que me rolam rosto abaixo. Nas mãos dele a pasta azul de condolências com a foto da avó. Tão bonita. Tão serena. Enrosca-se no meu colo, está tão grande este meu menino. Beijo-lhe o rosto molhado, sabe a sal. E a tristeza. Sabe tanto a saudade…

 

- Eu não sei viver sem a minha avozinha…

 

Sabes sim, filho, ela vive no nosso coração. Ensino-lhe então que é do amor que sentimos pelos nossos mortos e das lágrimas que choramos por eles que vamos construindo caminho. Explico-lhe então que noutros dias tristes, foi ele que me fez lutar, da mesma forma que agora é graças a ele que volto a querer caminhar. Tão pequeno e já tão grande, este meu menino de olhar doce e suave…

 

- Tenho tantas saudades de ti, mãe…

 

Lá fora, é noite. Fria, com meia-lua, linda, no céu. A avozinha está por ali, filho, a tomar conta de nós. E a tia Elsa. E a avó Moira. Elas sabem que temos saudades e que às vezes choramos muito e temos dificuldade em andar para a frente. E de entender. Mas também velam por nós para que cheguemos sempre bem a casa. E faz bem chorar, alivia o coração. Como hoje. Como agora…

 

- Um dia ela voltará a sorrir-nos…

 

Nos meus braços, acalmamos, amainam mares revoltosos e tempestades. Limpo-lhe o rosto molhado. Beijo-o com ternura, pelo tanto que me encanta nestas alturas. Continua a saber a sal e a saudade. Mas vai-lhe brilhando no rosto a luz de um sorriso. Que eu sei como ir em busca do dele, que eu lembro-me como era fácil o dela...

 

Um dia, algures, hás-de voltar a sorrir para nós…

 

 

 

 



vadiado por homem de negro às 03:39
Ligação vadia | Vadia para mim

15 comentários:
De sonia a 23 de Dezembro de 2009 às 16:03
Ola!

EStava na internet a tentar encontrar um poema de esperança que pudesse ilustrar um momento bom que estou a sentir.Encontrei o cabeçalho do seu blog. Em vão, tentei pesquisar o autor.
É seu? Será que me faculta o nome do autor?
Quero publicá-lo no meu blog...

Muito Obrigada e boas festas. Fico a aguardar 1 resposta sua


De homem de negro a 23 de Dezembro de 2009 às 19:48
Olá...
Podes utilizar o cabeçalho do meu blog se te agrada, é de minha autoria. A mesma resposta já ficou no teu blog...
Um abraço...


De sonia a 23 de Dezembro de 2009 às 16:02
Ola!

EStava na internet a tentar encontrar um poema de esperança que pudesse ilustrar um momento bom que estou a sentir.Encontrei o cabeçalho do seu blog. Em vão, tentei pesquisar o autor.
É seu? Será que me faculta o nome do autor?
Quero publicá-lo no meu blog...

Muito Obrigada e boas festas. Fico a aguardar 1 resposta sua


De Helena a 12 de Outubro de 2009 às 17:32
Era tão bom que os nossos meninos não tivessem estas tristezas!

Fiquei sem palavras.

Um beijinho ao seu menino e um abraço para si.

Helena


De homem de negro a 12 de Outubro de 2009 às 18:12
Olá...
Pois, de facto, era preferível que os nossos filhos não passassem por estas tristezas, mas também é verdade que só crescemos quando a vida nos apresenta dificuldades...
Um beijo vadio, a gente vê-se por aí...


De ricardo a 12 de Outubro de 2009 às 16:00
Boa tarde Homem de Negro.
Gostei da forma manifestamente inteligente como respondeu á minha " provocação ", esta entendida naturalmente no bom sentido.
Ser comunista, ateu, agnóstisco, crente ou o que quer que seja, tem sempre um valor relativo, que implica a impossibilidade de absolutizar o conceito, pela necessidade de estar aberto a todas as outras realidades.
De resto há uma área em que ambas as correntes filosóficas - cristianismo e comunismo - as quais, não obstante aparentemente antagónicas, se ligam perfeitamente, estou - me a referir aos valores humanos da solidariedade, humanismo, respeito pelo próximo, entreajuda, etc.
Basta dizer que se o cristianismo teve na sua génese a necessidade de auxilio aos desfavorecidos, o comunismos gerou - se no seio dos deserdados e escravizados da revolução industrial para tentar refrear os exageros do capitalismo.
Por isso é que um bom cristão neste ultimo ponto - achincalhamento e escravidão do proletariado por parte dos senhores do capitalismo - o cristão, dizia eu, tem nesta matéria de ser o mais acérrimo comunista.
E porque presumo é também trabalhador por conta de outrém , por certo reconhecerá que estas teorias filosóficas têm neste campo uma intervenção cada mais urgente.
O capitalismo voraz, a todos exige cada vez mais que sejamos, comunistas, cristãos, ambos os termos entendidos, como solidários, fraternos, educados, respeitadores, etc, como eu tento ser e vejo, no meu amigo, idêntico propósito.
Mas deixemo - nos de filosofias e caminhemos em frente, que a sua e a minha mãe por certo estão a zelar e a olhar para nós e presumo , por isso eu luto, orgulhosas das sementes que plantaram.
Um abraço de fraterna solidariedade.


De Lobaaaaaaaaaaaaaaaaaaa a 12 de Outubro de 2009 às 14:17
Olá,

Há que ser forte e vencer as contrariedades da vida.
E sentir a falta não é mau, é sinal que já se teve (muito ou pouco tempo, muito ou pouco intenso,...) e agora há que ensiná-lo a saber desfrutar a vida para além da morte.

(Hoje não me recomendo, espero que entendas as minhas palavras acima).

Beijo.


De homem de negro a 12 de Outubro de 2009 às 15:46
Olá...
Estou em crer que é em dias mais tristes que nos devemos recomendar, isso porque lidar com boa disposição é até relativamente fácil, mas com os aborrecimentos. Quanto a ser forte e vencer as contrariedades da vida, ele há dias, não é minha querida? Aqueles em que somos donos do mundo e aqueles em que nos sentimos tão infinitamente pequenos e desamparados...
Um beijo vadio, a gente vê-se por aí...


De ricardo a 12 de Outubro de 2009 às 11:58
Mais uma vez sublime.
Parabéns.
Também eu infelizmente continuo a vivenciar esses mesmos sentimentos.É que a perda de uma mãe não se esquece.
Mas aproveitando a oportunidade, deixe - me interpelá - lo e desafiá - lo para um pouco de filosofia;como é que, sendo ideologicamente comunista, posso estar equivocado mas assim deduzo das convicções que manifesta, como é que, dizia eu, consegue conciliar esse ideário, sob o ponto de vista da crença religiosa, ou neste caso de não crença, com a expressão por si usada de " Um dia ela voltará a sorrir - nos...".
É que a sua convicção do voltar a sorrir - nos , aponta e muito bem, eu também assim o penso, para a imortalidade ou pelo menos para possibilidade de uma nova vida e para um reencontro após a morte, mas isso é de dificil percepção para um ateista, como são, presumo os defensores da ideologia comunista!
Estarei correcto ou não? Se não corrija - me por favor pois estou sempre em processo de aprendizagem.

Mais uma vez parabens e o meu muito obrigado


De homem de negro a 12 de Outubro de 2009 às 13:11
Olá...
Um comunista não é um ser estanque e estereotipado, como todos os outros seres humanos é feito das mais diversas características. Uma que erradamente é atribuída aos comunistas é a de que são todos ateus. Eu não sou, mas sou agnóstico: ou seja, não creio num qualquer deus sem mais nem menos, tenho de encontrar explicações e percebê-las, fundamentalmente isso, percebê-las para poder percepcionar a realidade que as cria...
Mais, entre os nossos conheço gente que vai à missa e comunga, outros que não ligam, outros ainda que rejeitam alguém superior ao homem. E vivemos todos juntos, sem que existam hostilizações pelas diferentes opções de cada um. Até porque os tempos são outros, não podemos enterrar a cabeça em relação aos muitos e diversos aspectos evolutivos da nossa sociedade dita moderna. E a minha liberdade não se coaduna com a imposição dos tais ditos estereótipos , não gosto de amarras, nem grilhetas, pelo menos para além do tolerável...
No entanto, nesta situação específica, a frase "um dia ela voltará a sorrir-nos" não tem a ver com religião mas sim com a dor que sinto, com a ausência dela, com o vazio, com a minha saudade, com o desejo imenso de poder voltar a ter a minha mãe, de a amar o que não a amei, de ser amigo dela o quanto não fui, de ser um filho melhor do que fui, de tudo isso. Quem perde uma mãe sabe, seguramente, do que estou a falar, tenho a certeza que entenderás as minhas palavras...
Um abraço, companheiro, a gente vê-se por aí...


De gi a 10 de Outubro de 2009 às 19:31
olá Homem...lutador.
Abraça o Tiago, lembra as doçuras dessa grande avó/mãe e decide a vossa felicidade...em cada minuto.
Só lembra e chora quem perdeu...e se perdeu, é porque um dia teve.
Beijo amigo aos dois...e, companheiro, boa sorte para amanhã!


De homem de negro a 12 de Outubro de 2009 às 15:49
Olá...
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Olá... <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Gi</A> , cara linda, já te tinha estranhado a ausência pelas minhas bandas, mas achei que era desta altura de eleições. Espero que estejas mesmo bem, companheira... <BR>Obrigado pelo carinho que me trazes sempre. Gosto de ti assim, sempre com uma palavra de encorajamento para dar... <BR>Um beijo vadio, a gente vê-se por aí... <BR>


De homem de negro a 12 de Outubro de 2009 às 15:58
Olá...
Gi, cara linda, já te tinha estranhado a ausência pelas minhas bandas, mas achei que era desta altura de eleições. Espero que estejas mesmo bem, companheira...
Obrigado pelo carinho que me trazes sempre. Gosto de ti assim, sempre com uma palavra de encorajamento para dar...
Um beijo vadio, a gente vê-se por aí...


De Mónica a 10 de Outubro de 2009 às 04:41
Que se diz ao ler-se palavras assim?
Não sei!
Não é fácil para mim falar(escrever) sobre sentimentos que não são meus...para mais quando são de uma criança...que sem dúvida, são os mais puros!
Mas sei...que o Tiago tem um Pai que o faz ver a vida de uma maneira muito bonita e até as saudades da Avó, ele vai entender de uma forma especial!

Bjo grande para os dois!



De homem de negro a 12 de Outubro de 2009 às 15:54
Olá...
Sabes, Mónica, para mim traçar a palavras o que me vai na mente sempre foi uma das melhores formas de saber viver com a dor dentro de mim...
Quanto ao resto, sei que farei sempre tudo o que puder para que o meu filho não fique com sequelas das maldades que lhe vão acontecendo, as que nós lhe fazemos e aquelas a que a vida o obriga...
Um beijo vadio, a gente vê-se por aí...


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