Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
Festa do avante 2009...

    

 

     É bom abalar, calcorrear caminho e depois descobrir e relembrar o que fica para trás. É muito bom que o tempo tenha todo o tempo para fazermos dele o que quisermos. É imensamente bom que locais novos nos alarguem horizontes ou nos tragam recordações de antanho que ajudaram a construir o que somos hoje...    

     

      É por isso que ir à Festa do Avante não depende do cartaz de actividades culturais (enorme), nem passa por ser mais um festival no roteiro dos muitos que há por esse país fora. Ali vai-se pelo convívio, pelo reencontro, pelo admirar do resultado das jornadas de trabalho, pelos sorrisos de tantos companheiros, pela cor política e por tudo o resto. Porque este é um local diferente, cheio de um espírito diferente...

     De facto, foi por estas razões que este fim de semana fui até ao nosso santuário, a Quinta da Atalaia, no Seixal, para assistir a mais uma edição da Festa do Avante. Mochila às costas com roupa, uma mala térmica com uns comes e bebes, máquina fotográfica a tiracolo, "aí vamos nós de novo na estrada", sem saber muito bem onde dormir, mas isso também se via depois. À chegada, a imensidão de gente, velhos e novos, uma confusão enorme de carros, autocarros, camiões, roulottes, autocaravanas e até barcos (esses já lá estavam, nos estaleiros)...

     Montadas as tendas dos companheiros de jornada, gente não muito habituada a lidar com iglos, estacas, varetas e afins, tempo de procurar uma sombra para o "almoço em família", uma espécie de piquenicão onde todos petiscam aqui e ali (ai o franguinho da Isaura regado a branquinho do Zé, a meias com umas mines, e os pasteis de bacalhau da Palmira!!!), depois mochila às costas e ala para as festividades. As malas ficam na tenda que aqui ninguém rouba nada a ninguém, dizem...

     O ambiente da festa fascinou-me, a quantidade enorme de actividades, bandas, bombos (os de Viana, pá, e os Toca Rufar!!!), as muitas exposições, os concertos constantes no Palco 25 de Abril, os debates, os comes e bebes que cada terra traz, o muito vinho fresquinho, a cerveja sempre em todos os cantos. Da minha terra, Coimbra, cá foi a chanfana e o porco no espeto com arroz de feijão, uma delícia...

     Fascinou-me, acima de tudo, não ter visto uma única zaragata no tempo que lá estive. Velhos e novos, com melhor e pior aspecto, ou por outro lado, com aspecto diferente, com maiores ou menores bebedeiras, à boa maneira dos Peste & Sida com moshe e tudo, pretos, brancos, amarelos, punks, metálicos, rastas, betos, camaradas aos montes, sempre um sorriso perante qualquer assomo de inquietação. Até na altura do moshe dos Peste, se encontrava sempre um sorriso perante determinados voos...

     Saliento ainda as excelentes sardinhas assadas, sardinhas "escamudas",  que comi em Alcochete, local onde acabei por dormir. Um almoço de estalo no Domingo com um excelente vinho branco a acompanhar, dois jarritos, que aqueceram a alma e a vontade de voltar para a festa, pois não há mesmo festa como esta. O reencontro com camaradas do Alentejo, o conhecer uma nova companheira que se diz "relativamente feia", mas que achei bem gira, de rosto rematado por boina espanhola...

     Um mundo, é verdade. Quer nas actividades, nos participantes, na quantidade de gente que subiu ao palco para os discursos, nas bandeiras vermelhas, azuis, brancas, verdes, nos cravos vermelhos que andavam de mão em mão, quer na aceitação das diferenças e na luta por um mundo que seja solidário para todos. Em termos musicais, gostei dos Kazua, dos Peste & Sida (estes são do meu tempo), do Vitorino, do Willie Nile e, acima de tudo, dos desconhecidos (para mim) Os Zé Pedro dos Xutos, com o hit "Desatinei" e o refrão "Sou o gay da minha aldeira". Procurem no Youtube pela palavra desatinei, são espectaculares...

     Os comunistas têm razão quando dizem que não há festa como esta. Porque não há mesmo. Eu já lá não ia à mais de 20 anos, mas voltei a ficar seduzido por este mundo. Só um remate: o afamado leitão dos Negrais não merece tal destaque, mas o vinho que o acompanhava era uma delícia. Desculpem lá, camaradas dos Negrais, mas o vosso acepipe não nos encantou, embora acredite que é defeito nosso por termos como comparação o leitão da Bairrada...

     Para fim de festa os discursos e a posterior debandada geral. Não sem que antes o espaço em frente ao Palco 25 de Abril se transforme numa verdadeira rave com toda a gente a dançar a musica da campanha. Como diriam os Xutos, "pessoal, até para o ano".  Porque, apesar de todas as tentativas para acabar com esta manifestação politica, para o ano vai haver mais...

     Porque a luta continua. A gente vê-se por lá...

 



vadiado por homem de negro às 21:15
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1 comentário:
De Helena a 17 de Setembro de 2009 às 16:01
Pois eu que me lembre falhei duas, a 1ª, na FIL e a de 1991, julgo que foi a 1ª na Atalaia, ou melhor, eu posso dizer que tenho a festa em casa. É verdade, moro em frente à festa, o que é bom. O meu filho foi habituado a ir, agora, adolescente, durante os 3 dias da festa mal o vejo e tenho um acampamento de jovens dentro do quarto dele. A tristeza deles é que no último dia a festa acaba cedo.
De ano para ano constato que há cada vez mais jovens a aderir e participar, mesmo no antes da festa, 15 dias antes já há muita animação por estas bandas.
Não há mesmo festa que se lhe compare.

um abraço

Helena


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