Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
Por entre o nevoeiro...

 

 

     São corpos que se anseiam, olhares que se amam, seres que se desejam. São caminhos que se embrenham por entre serras e montes, dedos entrelaçados cujos nós brancos demonstram a força com que se agarram. São almas vadias feitas de amor negado, de dias tão grandes e sempre tão pequenos. São carinhos ávidos de tudo, possuidores de nada. Porque o que resta no fim é sempre a estrada de regresso...

     Os olhos percorrem olhos, tristes, perdidos, vazios. Faltam-lhes o brilho da vida, de poder querer, de deixar viver, de deitar a amar. Apenas brilham lágrimas de amor negado, da saudade apartada, de tudo o que não se podem permitir viver. Porque são vidas de outras vidas construídas, vidas de outras vidas preenchidas, vidas por outras vidas destruídas. Ah, pudera a vida querer mais...

     Era de ficar por lá, eternamente. A cabeça deitada no ombro, olhando a água que, a espaços, desaparece por entre os bancos de névoa que demanda a serra. Árvores e rochas que se escondem daquilo que trocam, que guardam aquilo que sentem. E trocam tudo, tudo o que podem, porque a vida é feita a correr. Nestes dias especialmente. Mesmo que o nevoeiro os esconda do mundo...

     São dias de tão pouco e mesmo assim de tanto, quando a vida acontece e o sonho se torna real. Porque amar não tem de ser uma obrigação, mas sim um prazer. Porque viver não tem de ser sempre feliz, mas pode até sê-lo a espaços. E porque a musica que os embala quando os seus corpos se tocam pode acabar por ser eterna. Pelo menos eternamente terna...

     O resto fica lá, por entre o nevoeiro, nos dias quentes que findam, nos dias frios que se aproximam. Como se até a névoa quisesse proteger esses amantes vadios, como se até a natureza quisesse acarinhar este amor que nunca será. Mas que, no fundo, é. Pelo menos por lá, pelo menos para eles, pelo menos em dias de sentir...

     Porque há locais que nunca esquecem. Mesmo por entre o nevoeiro...

 

 

 

Para uma mulher especial

JC

 

 

 



vadiado por homem de negro às 11:48
Ligação vadia | Vadia para mim

10 comentários:
De Helena a 15 de Setembro de 2009 às 16:21
Apesar de não o conhecer, nem tão pouco saber quem é, já por várias vezes disse aqui que gosto de si. Gosto da maneira como expressa os seus sentimentos pelo seu menino e o fazia e ainda faz pela sua Mãe.

Por isso, se está feliz e se encontrou o amor continue, pois esse é o caminho, ou deveria ser.
Seja feliz, com a certeza de que merece (esta minha convicção é só pelo que leio, só por aquilo que faz o favor de nos contar, mas para mim chega).

E já agora, parabéns para essa mulher especial.

Um abraço e "façam favor de ser felizes".
Helena


De homem de negro a 15 de Setembro de 2009 às 16:35
Olá...
De facto, é bom ver que algumas pessoas são felizes por verem os outros felizes, é bom encontrar quem faz da alegria dos outros a sua própria alegria. Como diria mestre Solnado, "façam-me o favor de serem felizes"...
Obrigado. Um beijo vadio. A gente vê-se por aí...


De A Mulher que tu consideras Especial a 15 de Setembro de 2009 às 15:28
Obrigada!
Obrigada pelas palavras saborosas e coloridas.
Obrigada pelo carinho terno e eterno.
Obrigada pelo tudo e pelo nada que me dás.
Obrigada!

Beijo do tamanho do Universo,
com sabor a lágrima feliz.


(Tudo o resto que aqui se passou (...)
fica com quem toma as atitudes.)





De homem de negro a 15 de Setembro de 2009 às 16:01
Olá...
Sabia, à partida, que estas palavras teriam o condão de te por a chorar, sabia que o sentimento nelas contido tomaria o rumo certo. Esquece o resto, que são apenas palavras azedas de quem vive demais a vida dos outros por não ter a sua própria para viver...
Gosto de ti, independentemente do que o futuro nos reservar. Gosto de ti por seres quem és, como és e também como gostarias de ser. Porque a vida é sempre um projecto em construção, a vida é sempre uma descoberta...
Um beijo vadio e vê lá não desates a chorar outra vez. A gente vê-se por aí...


De Mónica a 15 de Setembro de 2009 às 14:23
Olá...

Ler este texto com esta música de fundo...
é fantástico.

"São almas vadias feitas de amor negado, de dias tão grandes e sempre tão pequenos"

e porquê se nega tanto o amor?
e porquê que quando falo de amor as lágrimas caiem?
e porquê que amar tem de ser SAUDADE?
.....
não sei...meu AMIGO...TU sabes?

Beijo grande como TU e o teu coração!

ADOREI o texto e a Música!





De homem de negro a 15 de Setembro de 2009 às 15:55
Olá...
A musica deste texto ontem era Cada lugar teu, da Mafalda Veiga, um tema que eu acho fantástico e que se enquadrava muito bem no espírito destas palavras...
Quanto ao amor, quando saberemos alguma vez se ficamos a ganhar ou a perder de cada vez que ele acontece? Acho, acima de tudo, que a felicidade reside, acima de tudo, nas tentativas que fazemos. Mas longe com a saudade que é bicho que não me apoquenta...
Um beijo vadio, agente vê-se por aí...


De .... a 14 de Setembro de 2009 às 13:46
falta é a coragem de largar tudo para viver esse grande amor ou então é a vontade de ter sempre um ombro para descarregar a frustração de um casamento mal sucedido mas que se mantem por questões morais ou outras. nasceste básico morreras básico


De homem de negro a 14 de Setembro de 2009 às 15:46
Quem não sabe do que fala, normalmente deita para fora apenas palavras geradas na ignorância e no ressabiamento. Porque este teu comentário nada mais demonstra que uma enorme inveja de não serem para ti estas palavras, de não serem por ti estes sentimentos. No entanto, estás sempre presente quando as minhas palavras são sobre sentimentos pessoais, porque será? E só apareces para destilar veneno e para atacar os fantasmas imaginários que povoam a tua cabecinha atrofiada e manipuladora nestas alturas porquê?
Acho que devias mesmo era preocupar-te contigo, com as asneiras que fizeste na tua vida, com as mentiras que espalhas à tua volta, com as manipulações que tentas fazer mas que já não resultam, com as pessoas que dependem do facto de teres juizinho nessa cabeça e deixares-te de filmes e de atirar para cima dos outros o facto de teres sido desprezada...
Sou básico? Sou sim senhora, mas disso me orgulho, de ainda haver por aqui alguma coisa que se encanta com alguns seres que atravessam a minha vida. Porque, por muito que o queiras e se te fique atravessado, nunca tiveste para mim a importância que esta pessoa tem na minha vida. Apesar de tudo o que eventualmente venha a acontecer. Ou não. Porque o respeito e o carinho é mutuo e continua, apesar da tua constante presença maldosa...
Deixa-me cá a mim ser básico e continua tu a ser manipuladora, mesquinha, mentirosa e vazia, que eu cá me aguento e vou vivendo o melhor que posso e sei...
Agradeço o tempo dispendido para te preocupares comigo mas dispenso tal. Vai à tua vida...


De Gaivota a 17 de Setembro de 2009 às 01:55
Olá.
Não sei o que o futuro me reserva, por isso vivo o presente, como um presente e vejo que não preciso dar-te conselhos pois segues o mesmo raciocínio. Essa loucura esses carinhos que revelas, mesmo em flashes, são memórias tuas que ninguém, enquanto te restarem células cinzentas te poderão tirar. Fazer parte da vida da outra pessoa é existir nela. Torna-nos maiores.
Não te conheço a ti nem à tua mulher especial nem a quem vos quer fazer sombra mas tenho para mim que quem perde é a outra por se ocupar com o vazio em vez de rentabilizar a vida dela.
Eu cá falo por mim claro, acho que a vida é demasiado curta para mesquinhices e se alguém me trocasse por outra, venha de lá outro chapéu que decerto haveria também coisa melhor para mim. São ideias.


De homem de negro a 17 de Setembro de 2009 às 09:40
Olá...
Não creio ser possível ser mais claro do que tu, no fundo faço minhas as tuas palavras porque a vida é para seguir em frente que atrás vem sempre gente...
Um abraço vadio, a gente vê-se por aí...


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