Quando eu morrer, dá-me um cravo vermelho, simbolo da liberdade, e leva-me ao mar. Não chores, a vida é o que mais bonito temos e eu procurei sempre viver a minha da forma mais pura possível... Porque sei sorrir e sei chorar... Bem-vindo sejas...
Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Pobres de nós...

 

 

 

     Já o disse antes, creio fazer parte de uma geração destruída e, acima de tudo, desiludida. Com tudo o que almejaram e não conseguiram, com as vidas apartadas, procurando ainda réstias de felicidade que possam trazer ao rosto amargurado um sorriso, ainda que leve, e aos dias cinzentos a esperança de um raio de sol que aqueça a alma...

     Com o meu divórcio, achei que falhei no maior projecto da minha vida. E falhei, embora não dependesse apenas de mim, envolveu outras vidas, outros seres, outras formas de ser. No entanto, resolvida essa situação, outro projecto de vida me saiu ao caminho, ser homem suficiente para ajudar a criar o meu filho e dar-lhe aquilo que eu não tive, quer em termos materiais, quer especialmente a nível de sentimentos...

     Já lá vão mais de três anos e a verdade é que as coisas vão e a vida segue, o sistema que encontrámos para criar o nosso menino está a revelar-se proveitoso para ele. Não há pensões de alimentos, achámos não ser necessário pois ambos tentamos dar ao nosso filho o melhor que pudermos. É verdade que eu dou mais, mas também é assim simplesmente porque posso, dentro das nossas necessidades, as dele vêm sempre primeiro, Eu e a mãe já estamos a combinar a festinha de aniversário dos sete anitos dele. Sete anos! Parece que foi ontem...

     E é aqui que este texto pretende chegar, às pensões de alimentos e às necessidades dos filhos. Hoje precisei de apoiar uma amiga divorciada que tem um filho e ao qual o tribunal atribuiu em 2006 uma pensão de alimentos de 120 euros que o pai nunca pagou. E disso nunca mal nenhum lhe veio, nunca foi castigado, nunca foi detido, nunca foi responsabilizado, a justiça, como ele não levanta as cartas registadas, dá-o como estando em parte incerta e lava daí as suas mãos...

     Mas, estando ele a trabalhar em Espanha, vem cá de ferias, esteve cá agora com a sua nova esposa e filha e pediu para ver o menino para este conhecer a irmã. Eu aconselhei a minha amiga a deixar a criança estar com o pai, no entanto também entendo que se não cumpre os seus deveres, não deveria ter direitos, por mais cruel que isto possa parecer. Porque cruel mesmo é o pai fugir às suas responsabilidades, deixando que o filho passe dificuldades e seja uma criança triste por não poder ter as vezes coisas tão básicas como umas sapatilhas extra para não andar sempre com as mesmas. E sabemos bem como eles são para destruir calçado...

     Agora, grave, grave mesmo, é o facto da mãe do menino se dirigir ao tribunal alertando-os para o facto do pai estar em parte conhecida e poder ser encontrado e confrontado com o seu incumprimento e o tribunal simplesmente não querer saber porque não têm um juiz para decidir este tipo de coisas assim do pé para a mão, é preciso dar entrada de uma queixa. No entanto, essa queixa existe, não existe é a vontade de quem pode e deve resolver o problema, mandando prender este indivíduo que reiteradamente foge às suas obrigações, as quais foram decretadas pelo tribunal...

     A minha amiga chora e desespera perante as dificuldades que vive, pois não tem emprego, embora esteja sempre à procura, precisa da ajuda da mãe e dos amigos, que vão fazendo o que podem. Mas, a talhe de foice, que justiça é esta que acaba por não atender às necessidades da criança, conferindo-lhe a necessária protecção que precisa para crescer em segurança? O miúdo é muito revoltado, entende-se porquê, triste, mas mesmo assim tira boas notas na escola e vai vivendo. É isso mesmo, vai vivendo, até ao dia em que a corda partir para o lado dele porque é o elo mais fraco...

     Isto desilude-me porque travo uma luta danada para ser o melhor pai possível e vejo este pai estar a lixar-se para o bem estar do filho e gozando com esta injusta justiça. Mas conheço mais casos destes, como se depois do divorcio e com vidas para refazer os filhos fossem descartáveis, como se não houvesse qualquer laço de sangue ou responsabilidade para com os filhos que, porque se quer, ficam para trás. É tão prático, não é?

     Segundo sei, a partir de Fevereiro a Segurança Social vai substituir-se ao pai dando ao filho da minha amiga a pensão que o pai não dá, sendo que a partir dessa data vai haver mesmo um mandado de captura contra o sujeito, desta vez a pedido da Segurança Social. Tenho a certeza que nessa altura ele será encontrado, pois aí dói ao Estado, mas e como fica tudo o que ele deve ao filho e não pagou até agora? Será que alguma vez será obrigado a pagar, será que a justiça se cumprirá e ele seja chamado à pedra?

     Mas, para mim a pergunta mais importante, que raio de pai é este que deita a cabeça na travesseira e não se preocupa com o filho que deixou para trás? Independentemente de se achar injusto, como eu acho, que o poder paternal seja (quase) sempre entregue às mães, não há uma criança para honrar e respeitar? E, muito honestamente, quem tem filhos sabe bem que vinte e tal contos por mês não dá para nada. É verdade ou não é?

     Responda quem saiba mais e melhor do que eu porque eu, sinceramente, não consigo entender isto. A gente vê-se por aí...

 

 


sinto-me: Pobres de nós...
música: A gente vai continuar - Jorge Palma

vadiado por homem de negro às 00:31
Ligação vadia | Vadia para mim

5 comentários:
De horizonte a 2 de Novembro de 2009 às 02:50
Estes casos não têm entendimento, nem à luz dos sentimentos nem à luz da razão, para pessoas normais... O entendimento passa pelo facto de esses pais que tão desumanamente consideram a infância uma coisa descartável sejam pessoas desequilibradas, perversas e completamente desprovidas de conteúdo, seja emocional, ético ou moral... Infelizmente só se constata isso tarde demais. O meu caso é idêntico, com a agravante de a minha filha ter herdado do pai uma doença do tipo da hiperactividade... Com tantos casos a surgir, a justiça já devia ter respostas muito mais eficazes e punitivas para quem não paga a pensão. E se pensam que estes problemas afectam só as classes baixas, desenganem-se... O pai da minha filha muito se gabava de vir de uma família do jet-set, de pessoas muito finas... Gente fina de aparência, escondem por detrás de um nome as atitudes mais canalhas e hipócritas que já vi.
Ah! e quanto à convivência dos filhos com os pais que os abandonam, sou completamente contra! Já são humilhados que chegue com o abandono, para quê confrontá-los com um pai que vem todo sorridente com a nova vida e até com outro filho? Isso só vai causar sentimentos de inferioridade, vai fazer com que eles pensem que não são suficientemente bons para atrair o amor do pai...
Mais um desabafo...


De Helena a 6 de Janeiro de 2009 às 12:08
É sempre triste e lamentável quando os pais se demitem das suas responsabilidades. Por vezes, mais tarde, lamentam-se de os filhos serem rebeldes. Tenho para mim que não há crianças más, mas sim maus pais, má educação e má criação. Desejo que a sua amiga e o filho, e tantos outros, infelizmente, tenham a vida que me merecem. Para si, para o seu pequeno e para a sua Mãe votos de um Bom ano, que a Vida vos sorria.
Helena


De homem de negro a 15 de Janeiro de 2009 às 09:41
Olá...
Sabes, acredito numa coisa , honestamente, que uma relação entre um homem e uma mulher é um contrato a termo incerto, um dias as coisas mudam, o amor vai-se, a paz desaparece, os desentendimentos começam, enfim, cada um segue o seu caminho. Mas filho é outra coisa que leva tudo o que cito acima, acrescido do que eu entendo como amor incondicional: apesar das asneiras que fizeres, haveremos sempre de encontrar um caminho. É por isso que eu não entendo que os filhos sejam a arma de arremesso dos divórcios, é por isso que criar o meu filho continua a ser um projecto a dois, ainda que separados...
Um beijo vadio, a gente vê-se por aí...


De ladymagenta a 5 de Janeiro de 2009 às 21:44
olá "vadio"...sei bem como te sentes...o meu filho mais velho tem 13 anos, durante este tempo "viu" da parte do pai a quantia de 150€, que divididos dá uma média de 11.53€!(no coments) o que vale é que eu sou uma gaja deprimida e pessimista, mas tenho "tintins" de aço! nunca parei, e nunca lhe faltou nada...nunca dependi de subsídios, porque quando tentei recorrer a eles me disseram que tinha de ser, e cito, "-muito pobre..."(!!!)logo vi-me na exclusiva obrigação de providenciar TUDO ao meu "lindo filho de amor", e tudo inclui a diversa medicação que faz por ser doente crónico e as sucessivas consultas de psicologia porque entretanto se tornou "rebelde" devido à puberdade(!!!) enfim...como te entendo e como acima de tudo entendo a tua amiga...ah, só agora nos últimos 5 anos (porque entretanto caí na "asneira" de tornar a casar), é que resolveram começar a colaborar na educação do meu filho...dão-lhe o material escolar e alguma roupa...o resto caro "vadio", sou eu...bela e amarela com uns laivos de rosa!
beijokas


De homem de negro a 15 de Janeiro de 2009 às 09:52
Olá...
No fundo o teu relato mais não é do que o comum da maior parte das situações de divórcio com filhos. Por isso até se confirma que a forma que encontramos para criar o nosso filho é a mais ideal, custódia e guarda partilhada, ninguém deve nada a ninguém, ninguém falha a ninguém. As despesas com escolas e actividades serão sempre divididas, as despesas relacionadas com vestuário e alimentação ficam a cargo de cada um. Basta, como exemplo, referir que a festa de aniversário dele, a realizar num parque infantil, será custeada pelos dois...
A verdade é que esta é uma situação ideal, mas existem muitos divórcios em que os pais ficam separados por grandes distâncias e ai já não é possivel proceder desta forma, mas o que deve permanecer sempre é a dignidade da criança. E o teu ex-marido, como tantos outros, como não ficaram com a custódia (que também devo acrescentar é, de todo, uma injustiça que a custódia seja na maior parte dos casos atribuída à mãe com o estafado argumento de que mãe é mãe), consideram que não têm de "sustentar a mãe" e como tal não pagam, esquecendo-se que, com isso, apenas estão a prejudicar os filhos...
A opção é de cada um mas não encontra castigo na justiça. E devia...
Desculpa o desabafo, obrigado pela visita. E, já agora, Uma lady con tintins? Dasse...
Um beijo vadio, a gente vê-se por aí...


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