Foi ontem, o dia inteiro, de volta dos meninos e da bola, o que nos dias que correm dá sentido à nossa existência, num torneio de futebol. O tempo foi então escasso e sobreveio o cansaço, que me fez deitar e simplesmente adormecer...
Foi hoje, no mesmo torneio, eu de volta dos mais pequeninos, pelo menos durante a maior parte do dia. Mas não me esqueceria deste dia 7 de Abril, como também não esqueci que a minha irmãzita faria anos por estes dias...
Relembro-te, mãe. Tenho muitas saudades de ti. Temos, ainda antes de ontem o teu netito pegou na tua foto e os olhos se lhe encheram de lágrimas. Continuamos, as vezes que forem precisas, a chorar juntos, apesar dos três anos que já passaram...
Um beijo, minha mãe. Vela por mim...
Correu tudo muito bem. A operação, a estadia, as pessoas que me acolheram nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Fiquei fascinado pelo carinho que têm pelos doentes e a forma como os ajudam. Foi entrar na quarta, ser operado na quinta e sair na sexta-feira, com a barriga e peito cheio de buraquinhos e pensos. E sem vesícula. Mais leve, portanto, e com a recomendação de, pelo menos durante os primeiros dias, não entrar em grandes aventuras e deixar o corpo habituar-se. O que até nem está a ser difícil, uma vez que, tirando as mines que não bebo agora, já estava habituado a comer cozidos e grelhados, embora hoje tenha estufado rojões, com poucos temperos, e já tenha comido um pouquinho com arroz banco e ervilhas...
De salientar que deixei o computador em casa, uma vez que considero que há vida para além da net. Levei livros e comprei jornais. Li, enquanto o diabo esfrega um olho, "No reino dos Nabos", de Silvério Manata, Grão Mestre da Confraria Nabos e Companhia, um moço ali da Gândara que, para quem não sabe, são aquelas terras compreendidas entre o mar e a ria de Aveiro, como, por exemplo, Tocha e Mira. Não há comezainas de facto, há comezainas de literatura. Recomendo as histórias de Silvério Manata que nos trazem o cheiro da terra molhada e os sabores e saberes de tempos que agora já não seriam possíveis. E agradeço à Gi que me deu dois livros deste autor...
Isto vai. Um dia de cada vez. Porque é assim que a vida, nos dias que correm, tem de ser vivida...
Um abraço vadio, a gente vê-se por aí...
Primeiro, fui em busca de um abraço do meu filho, lá na escola. Depois, procurei o pôr-do-sol e deixei-me ficar, absorto nos meus medos, com um cigarro por companheiro. É engraçado, continuo sempre a precisar da solidão para lidar com as minhas coisas, nunca procuro a companhia de ninguém. Mais logo, hei-de dar um beijo ao meu filho que ainda não nasceu e abraçar a sua mãe. Porque tenho, por eles, de lidar com este medo que me cala fundo na alma...
Amanhã dou entrada no hospital para ser operado à vesícula, onde cresceu um cálculo enorme, com mais de 2 cm. Já sei que vou ficar sem a dita cuja e que hei-de andar a dieta por uns tempos, lá se vão os copos e as comezainas, e provavelmente também a barriguinha, mas isso é o menos preocupante.
É uma operação rotineira nos dias que correm, a "operação dos furinhos", mas não deixo de sentir algum receio. Não muito, é certo, mas fica sempre um friozinho na espinha quando se enfrenta uma sala de operações. Porque não sou só para mim, agora ainda mais há quem de mim precise...
Desejem-me sorte. Para que este não tenha sido o meu último pôr-do-sol. Nem o ultimo abraço. Porque também ainda me falta abraçar o Afonso...
Até já. A gente vê-se por aí...
Diz-se que o rapaz se há-de chamar Afonso. Ou até Dinis. Ou mesmo Tomás. É uma indecisão, ainda. Mas saúde é mesmo aquilo que se quer que ele traga...
Não me esqueço. Não te esqueço. Pelo muito que me deste, pelo muito que fizeste por mim. Hoje, cá volto, para te deixar um beijo de parabéns e votos de muitas felicidades. Porque a vida segue sempre e nós temos de ir com ela...
Parabéns, minha cara amiga. É uma honra ter partilhado parte da minha vida contigo...
A gente vê-se por aí...
É certo que já é um pouco raro trazer para aqui os textos que fizeram o início deste blog. Aqueles que tratavam do mais intimo de mim, daquilo que mais me doía e sobre o qual eu tinha de escrever. Porque tudo muda e tudo passa. E porque palavras leva-as o vento e mágoas cura-as o tempo...
Seja como for, o blog do homem faz hoje seis anos. É uma data especial de um cantinho especial. Parabéns, caro blog. A ver se para o ano cá estamos com mais histórias. Daquelas vadias, a meias com as imagens que sempre trago de cada vez que volto. Saúde...
A gente vê-se por aí...
E pronto, mais um ano que passa e o nosso rei continua vivinho da silva. São já 70 anos e uma imagem eternamente ligada ao Benfica. Por cada ano que passa, muitas coisas mudam nas nossas vidas mas não a capacidade de relembrar pessoas que, de alguma forma cruzam a nossa passagem por este mundo...
Porque, de entre os que partem e os que vão ficando, restamos nós para lembrar...
Eusébio da Silva Ferreira cumpre hoje 70 invernos. O rei faz anos, saudemo-lo então...
Miki Feher, 1979 - 2004.
Injustamente expulso do jogo da vida num dia de muita chuva por terras onde este país nasceu. Oito anos depois, paz à sua alma e a recordação de quem se foi embora envergando a camisola do Benfica...
Diz-se que uma destas noites 70 mil pessoas dançaram a carvalhesa, num destes locais onde somos todos iguais...
No fim do dia, quando tudo serenou, são estas imagens que me renovam a fé. Porque me apetece tanto poder voltar a vestir-me de inocência...
Há imagens que valem mais que mil palavras. Até porque nestas coisas da liberdade, os meninos são como os cães, é soltá-los e deixá-los ir...
Nunca tive medo de viver, de levar a vida tal como ela se apresenta. Cerrar os dentes quando os dias são maus, aproveitar quando o sol brilha, e tentar ser sempre o mais feliz possível. E quando os meus dias foram maus, sempre levantei a cabeça e dei a volta, de uma maneira ou de outra. Às vezes sozinho, outras com ajuda. É por isso que quando olho para trás raramente sinto saudades, pois sei dar o valor às coisas que já passaram na minha vida, boas e más, e sei ainda melhor que pensar das pessoas que cruzaram o meu caminho...
Há um tempo para tudo na vida de cada um. Um tempo para estar só, um tempo para chorar, um tempo para luto, um tempo para lutar, um tempo para ser feliz. Cada um destes pedacinhos de vida tem de ter o seu espaço em nós, de forma a que possamos construir o nosso eu, aquilo que resta quando nada mais vale. É a vida, tal como ela é. É por isso que devemos sempre aproveitar as oportunidades que esta nos dá. Sem medo...
A vida deu-me uma segunda oportunidade. Agarrei-a. Estou bem. Sou feliz. E, acima de tudo, descobri que ainda tenho a capacidade de fazer alguém feliz. Vou lutar por esta relação, com unhas e dentes. Honrando a pessoa que está a meu lado. Porque quero. Porque gosto. Porque é o tempero de gostar de alguém que dá sabor à nossa existência...
A gente vê-se por aí...
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